Cosmos da Filosofia
Mesa branca e estéril junto a uma janela molhada de chuva à noite, com um pequeno espelho de mão rachado refletindo um único ponto de luz fria e a névoa azulada de uma cidade distante além do vidro

Manglobe · 2006

Ergo Proxy

Numa cidade sob uma cúpula, um vírus faz androides tomarem consciência de si mesmos.

ConsciênciaConhecimentoExistência

Sobre a obra

Ergo Proxy é uma série japonesa de animação cyberpunk produzida pelo estúdio Manglobe, com direção de Shūkō Murase e Dai Satō como roteirista-chefe. Seus 23 episódios foram exibidos entre fevereiro e agosto de 2006 pelo Wowow, canal por assinatura via satélite. Depois de um desastre ecológico, a humanidade vive em cidades protegidas por cúpulas, ao lado de androides chamados AutoReivs.

A série se passa em Romdeau, uma dessas cidades, onde as pessoas são geradas em úteros artificiais para cumprir uma função definida na sociedade. Uma série de assassinatos cometidos por AutoReivs infectados pelo vírus Cogito, que os torna conscientes de si mesmos, ameaça o delicado equilíbrio dessa ordem social. A inspetora Re-l Mayer investiga os crimes, enquanto o governo faz experiências secretas com seres misteriosos chamados Proxies.

O estúdio chegou a Murase com a ideia básica de um suspense policial futurista e o deixou conduzi-la para um rumo mais existencialista. Segundo o diretor, a frase de Descartes “penso, logo existo” foi a inspiração do conceito. Satō disse que a obra discute se nos tornamos quem somos pelo ambiente ou pelo que já está em nós, e contou que os robôs levam nomes de filósofos, como Derrida, Lacan e Husserl.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Descartes e o vírus Cogito

O vírus leva o nome do cogito de Descartes. Decidido a duvidar de tudo — dos sentidos, do corpo, do próprio mundo —, Descartes encontrou uma única certeza: se duvido, penso, e se penso, existo. A primeira verdade não é o mundo, mas o sujeito que pensa. Os AutoReivs infectados vivem algo parecido: máquinas que apenas executavam funções descobrem, de repente, que há alguém ali pensando. Na série, essa descoberta chega junto com uma onda de crimes que desafia a ordem de Romdeau.