Cosmos da Filosofia
Um único banquinho de madeira em uma sala vazia com uma parede de vidro do chão ao teto, luz natural suave, sem nenhum outro móvel

Ludwig Mies van der Rohe · século XX

Menos é mais

Um lema de arquitetura que virou princípio de vida: eliminar o supérfluo para revelar o essencial.

VirtudeFelicidade

Sobre a obra

A frase "less is more" apareceu pela primeira vez em 1855, no poema "Andrea del Sarto", do poeta inglês Robert Browning, na voz do pintor renascentista que dá nome ao poema. Não foi criada por nenhum arquiteto, embora hoje seja atribuída quase sempre a um.

O arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe (1886–1969), último diretor da Bauhaus e um dos pioneiros da arquitetura moderna, adotou a frase e ficou famoso por repeti-la, sem tê-la inventado. Usava-a para resumir sua busca por edifícios de aço e vidro, de linhas limpas e ornamento mínimo, como o Pavilhão de Barcelona (1929) e a Casa Farnsworth (1951).

A ideia de reduzir ao essencial ecoa um provérbio atribuído ao espartano Quílon, um dos Sete Sábios da Grécia antiga, que recomendava a brevidade. Séculos depois, o papa Francisco citou "menos é mais" na encíclica Laudato si' (2015), observando que a ideia aparece em diferentes tradições religiosas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Sêneca e a vida sem excesso

Sêneca escreveu, nas Cartas a Lucílio, que a riqueza verdadeira está em precisar de pouco, não em acumular muito: quem deseja menos sofre menos com a falta e vive mais livre. A arquitetura de Mies, despida de ornamento, aplica ao espaço construído uma lógica parecida com a que os estoicos aplicavam à vida: eliminar o supérfluo não empobrece, revela o essencial. Uma sala de vidro e aço, sem nada a mais, propõe ao morador algo próximo do que Sêneca propunha ao leitor — viver com menos coisas, mas com mais atenção a cada uma delas.