Cosmos da Filosofia
Dois relógios de bolso idênticos lado a lado sobre uma mesa de metal fria, marcando a mesma hora, sob uma luz azul-esverdeada de águas profundas

Frictional Games · 2015

SOMA

Um homem faz um exame experimental do cérebro em 2015 e desperta, quase um século depois, numa base no fundo do mar.

ConsciênciaExistência

Sobre a obra

SOMA foi desenvolvido e publicado pela Frictional Games, o estúdio de Amnesia: The Dark Descent, com direção de Thomas Grip e roteiro de Mikael Hedberg. Saiu em 22 de setembro de 2015 para Windows, macOS, Linux e PlayStation 4; chegou ao Xbox One em 2017 e ao Nintendo Switch em 2025.

Em 2015, Simon Jarrett sobrevive a um acidente de carro com graves danos cerebrais e aceita se submeter a um escaneamento experimental do cérebro. Ele desperta 89 anos depois em PATHOS-II, uma base de pesquisa submarina no Atlântico Norte, num mundo devastado pelo impacto de um cometa. Como em Amnesia, o jogo aposta em fugir das ameaças sem ser visto e em resolver enigmas, mas deixa de lado o gerenciamento de inventário para se concentrar na narrativa.

O tema de fundo de SOMA é a consciência, e o jogo foi desenvolvido para explorar a natureza do livre-arbítrio e do eu. A atmosfera se inspirou na obra de Philip K. Dick, China Miéville e Greg Egan. A crítica elogiou a história, os temas, o clima, o som e as vozes, mas fez ressalvas aos inimigos e aos encontros com eles.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Descartes e a certeza de si

Descartes buscou uma certeza que resistisse a qualquer dúvida e a encontrou no próprio pensamento: posso duvidar de tudo, menos de que estou pensando. Simon desperta em 2104 com as lembranças de 2015 e nenhuma dúvida de que é ele mesmo. O jogo explora a brecha que esse argumento deixa aberta. O cogito garante que há alguém pensando agora; não garante que esse alguém seja o mesmo que entrou no escâner, nem o único a guardar aquelas lembranças.