Cosmos da Filosofia
Quarto de criança vazio, com caixas de mudança lacradas empilhadas junto a uma janela com gotas de chuva e um feixe de luz quente da tarde sobre o piso de madeira

Pixar · 2015

Divertida Mente

As emoções de uma menina de 11 anos tentam guiá-la durante a mudança da família para outra cidade.

ConsciênciaFelicidadeEudaimonia

Sobre a obra

Longa-metragem da Pixar dirigido por Pete Docter, com codireção de Ronnie del Carmen e roteiro de Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley. Estreou no Festival de Cannes em 18 de maio de 2015 e chegou aos cinemas brasileiros em 18 de junho. Ganhou o Oscar de melhor animação e foi indicado ao de roteiro original.

A história se passa dentro da mente de Riley, uma menina de 11 anos que se muda de Minnesota para São Francisco. Cinco emoções — Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva — conduzem suas ações a partir de um painel de controle e transformam as experiências em memórias. Cerca de 27 emoções chegaram a ser consideradas; o número foi reduzido para simplificar.

Docter teve a ideia ao notar que a filha, Elie, estava ficando mais quieta e reservada, e passou a se perguntar o que acontecia dentro dela. Os psicólogos Paul Ekman e Dacher Keltner, este da Universidade da Califórnia em Berkeley, prestaram consultoria. Segundo os dois, o filme destaca como as emoções organizam o pensamento e a vida social, em especial o papel da tristeza na aproximação entre as pessoas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Platão e o cocheiro da alma

No Fedro, Platão compara a alma a um cocheiro, a razão, que conduz dois cavalos, um dócil e outro rebelde. Na República, a alma justa é aquela em que a razão governa o ânimo e o apetite. Divertida Mente imagina uma sala de controle sem cocheiro: são as próprias emoções que disputam o painel. A escolha fica mais perto de David Hume, para quem a razão é serva das paixões e não pode, sozinha, levar ninguém a agir.