Cosmos da Filosofia
Estacionamento de supermercado deserto ao entardecer, com alguns carrinhos de compras abandonados e sacolas plásticas levadas pelo vento sobre o asfalto vazio, sob um céu nublado e pálido

Pixar · 2008

WALL·E

Séculos depois de a humanidade deixar a Terra coberta de lixo, um pequeno robô segue sozinho fazendo seu trabalho.

FelicidadeConsciênciaLiberdade

Sobre a obra

Longa-metragem da Pixar dirigido por Andrew Stanton, que escreveu o roteiro com Jim Reardon a partir de uma história criada com Pete Docter. Estreou nos cinemas dos Estados Unidos e do Brasil em 27 de junho de 2008 e ganhou o Oscar de melhor animação, além de receber outras cinco indicações.

Stanton conta que a ideia surgiu num almoço com outros roteiristas, em 1994, a partir de uma pergunta: e se a humanidade tivesse de deixar a Terra e alguém esquecesse de desligar o último robô? No filme, no ano de 2805, o planeta está coberto de lixo, e WALL-E segue compactando detritos e colecionando objetos, quase sem diálogos na primeira parte.

Os humanos vivem numa nave totalmente automatizada, a Axiom, e, dependentes das máquinas, tornaram-se sedentários. O filme toca em temas como consumismo, lixo, poder das corporações e dependência da tecnologia, embora Stanton diga que não quis fazer um filme sobre consumismo. Para ele, o tema central se resume numa ideia: o amor irracional vence a programação da vida.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Epicuro e os desejos sem medida

Epicuro separava os desejos naturais e necessários, como comer, beber e abrigar-se, dos desejos vazios, que nascem da opinião e não têm limite. Os primeiros são fáceis de satisfazer; os outros, nunca. WALL·E imagina o que acontece quando uma civilização inteira se organiza em torno dos segundos: o consumo não para, o planeta vira depósito e precisa ser abandonado. A Terra coberta de lixo é a imagem concreta de desejos que não conheceram medida.