Cosmos da Filosofia
Quarto escuro e vazio em que o brilho azul de uma tela distante se reflete numa janela molhada de chuva, e o reflexo duplica o quarto a ponto de não se saber qual lado é o real

Triangle Staff · 1998

Serial Experiments Lain

Uma garota retraída entra numa rede virtual parecida com a internet e passa a duvidar de onde termina o mundo real.

ConsciênciaVerdadeExistência

Sobre a obra

Série de TV em 13 episódios, chamados de layers (camadas), produzida pelo estúdio Triangle Staff e exibida pela TV Tokyo entre 6 de julho e 28 de setembro de 1998. A direção é de Ryūtarō Nakamura, o roteiro de Chiaki J. Konaka, o desenho dos personagens de Yoshitoshi Abe e a criação e a coprodução de Yasuyuki Ueda.

Lain Iwakura é uma garota de 14 anos, retraída, que vive num subúrbio de Tóquio e se envolve com a Wired, uma vasta rede virtual parecida com a internet, onde a consciência pode existir sem um corpo. A série incorpora referências como o inconsciente coletivo de Jung, o memex de Vannevar Bush, o Projeto Xanadu de Ted Nelson e as ressonâncias de Schumann.

Comunicação, solidão, identidade e realidade estão entre os temas centrais. Konaka disse querer comunicar sentimentos humanos de forma direta, e Nakamura quis mostrar ao público, em especial a quem tinha 14 ou 15 anos, a relação entre o eu e o mundo. Ueda afirmou ter feito a série com valores que via como tipicamente japoneses, na esperança de provocar uma guerra de ideias sobre seu sentido.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Descartes e o mundo duvidoso

A série não oferece uma realidade objetiva: a equipe evitou o chamado ponto de vista de Deus, para que o espectador compartilhe o campo de visão limitado da história. Descartes começou sua filosofia por uma inquietação parecida: e se tudo o que percebo fosse obra de um gênio enganador? Restou-lhe uma única certeza, a de que, enquanto penso, existo. Em Lain, nem esse ponto firme parece garantido, porque a protagonista se desdobra em versões diferentes de si mesma, e não fica claro qual delas é o eu que pensa.