Cosmos da Filosofia
Uma ovelha mecânica de metal escovado parada num quintal empoeirado ao entardecer, imóvel como um animal de verdade.

Philip K. Dick · 1968

Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?

Um caçador de recompensas precisa provar, um teste de empatia por vez, quem ainda é humano.

ConsciênciaMoralExistência

Sobre a obra

Philip K. Dick publicou Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? em 1968, pela editora Doubleday, num volume de pouco mais de duzentas páginas. A história se passa numa São Francisco pós-apocalíptica, devastada por uma guerra nuclear, no ano fictício de 1992, numa Terra que a radioatividade foi esvaziando aos poucos.

O caçador de recompensas Rick Deckard recebe a missão de eliminar seis androides Nexus-6 fugitivos, praticamente indistinguíveis de humanos, enquanto um segundo personagem, John Isidore, um homem de inteligência reduzida pela radiação, acaba ajudando os fugitivos. Animais de verdade se tornaram símbolos de status raros num mundo radioativo, e quem não pode pagar por eles compra imitações elétricas.

O romance foi escrito com técnicas do romance noir, e usa a dificuldade cada vez maior de distinguir humanos de máquinas sofisticadas para questionar o que, afinal, define alguém como humano — pergunta que os testes de empatia aplicados por Deckard tentam, sem sucesso total, responder de forma mecânica.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Empatia como critério moral

O teste que Deckard aplica para identificar androides mede a capacidade de sentir empatia diante do sofrimento alheio, inclusive o de animais — não a inteligência ou a aparência física. É uma aposta filosófica forte: o que nos torna moralmente relevantes não seria a razão, mas a capacidade de nos importarmos com a dor de outro ser. O problema, que o próprio romance expõe, é que esse critério também falha, testando de forma imperfeita algo que talvez não caiba em pergunta e resposta.