Cosmos da Filosofia
Balança de latão antiga com os dois pratos vazios e nivelados, sob luz uniforme

Ideia

Moral

Definição

Conjunto de normas sobre o certo e o errado, e a reflexão sobre seu fundamento: a natureza, a razão, o costume, o comando divino ou a vontade.

Moral e ética

A palavra moral vem do latim mores, "costumes"; ética, do grego éthos, que também remete a caráter e costume. No uso cotidiano, as duas palavras se confundem. Na filosofia, costuma-se chamar de moral o conjunto de normas sobre o certo e o errado, e de ética a reflexão filosófica sobre essas normas — de onde vêm, o que as justifica, se valem para todos.

Em português, fala-se ainda de consciência moral: a capacidade de julgar as próprias ações e de sentir culpa ou aprovação. Não se confunde com a consciência no sentido de experiência.

Dois sentidos de "moral"

Descritivo e normativo

A primeira distinção importante é entre dois usos da palavra:

  • Sentido descritivo. A moral de um povo, de um grupo ou de uma pessoa: o código de conduta que eles de fato aceitam. Fala-se, por exemplo, da "moral dos gregos". Nesse sentido, há muitas morais.
  • Sentido normativo. O código de conduta que, em certas condições, todas as pessoas racionais aceitariam. Nesse sentido, a pergunta é qual moral é a correta.

Um núcleo comum

O filósofo Bernard Gert descreveu a moral como um sistema público informal: conhecido por aqueles a quem se aplica e que não é irracional seguir. Apesar de todas as variações entre culturas, as morais descritivas compartilham uma preocupação: evitar e impedir danos aos outros. Proibições de matar, causar dor, enganar e quebrar promessas aparecem, de algum modo, em toda parte.

Moral, lei e religião

  • A lei tem regras escritas, penas definidas e intérpretes oficiais — a moral, não.
  • A religião pode ser fonte de normas morais, mas inclui narrativas sobre o sobrenatural que vão além da orientação da conduta; e práticas religiosas podem, elas próprias, ser criticadas em termos morais.

A pergunta grega: natureza ou convenção?

A reflexão moral no Ocidente ganha força com os sofistas, que perguntaram se as normas morais têm fundamento na natureza (physis) ou são apenas convenções humanas (nomos). Para uns, a moral seria invenção dos fracos para conter os fortes; para outros, como Protágoras, um desenvolvimento natural necessário à vida em comum.

Sócrates respondeu buscando definições — o que é a coragem, o que é a justiça — e sustentando que a virtude é conhecimento: ninguém faz o mal voluntariamente. Aristóteles deslocou o foco para o caráter: a pergunta moral fundamental seria que tipo de pessoa devemos nos tornar.

As três grandes teorias

1. Ética das virtudes: que pessoa devo ser?

Para a ética das virtudes, o centro da moral não são regras nem resultados, mas o caráter. Agir bem é agir como agiria uma pessoa virtuosa — honesta, corajosa, justa, generosa — em cada situação. A tradição vem de Aristóteles e dos estoicos e foi renovada no século XX por Elizabeth Anscombe, Philippa Foot, Alasdair MacIntyre e Rosalind Hursthouse. Veja a página sobre a virtude.

2. Deontologia: qual é o meu dever?

A teoria moral de Kant, exposta na Fundamentação da metafísica dos costumes (1785), é a grande referência das éticas do dever.

A boa vontade. Kant abre a obra afirmando que a única coisa boa sem qualquer restrição é uma boa vontade. Inteligência, coragem ou riqueza podem ser usadas para o mal; a boa vontade, não. Mesmo que não conseguisse realizar nada, ela brilharia como uma joia, com valor em si mesma.