
Iluminismo
Kant
Redefiniu os limites do que podemos conhecer e fundou a moral no dever e na autonomia.
Vida e obra
Immanuel Kant passou a vida inteira em uma cidade no extremo nordeste da Prússia e, de lá, provocou uma revolução no pensamento. Perguntou o que podemos conhecer, o que devemos fazer e o que podemos esperar — e suas respostas redefiniram a metafísica, a teoria do conhecimento, a ética, a estética e a filosofia política. Quase toda a filosofia dos séculos XIX e XX se construiu a partir dele, com ele ou contra ele.
A vida
Uma família de artesãos
Kant nasceu em 22 de abril de 1724, em Königsberg, na Prússia Oriental — hoje Kaliningrado, na Rússia. Seu pai era mestre seleiro; sua mãe, filha de seleiro, era mais instruída que a maioria das mulheres de sua condição. A família valorizava o trabalho duro, a honestidade e a independência, e seguia o pietismo, um movimento luterano que enfatizava a devoção pessoal, a conversão e o exame da consciência.
Dos oito aos quinze anos, estudou no Collegium Fridericianum, uma escola pietista. Kant detestou a obrigação de vasculhar a própria alma e encontrou refúgio nos clássicos latinos. Mesmo rejeitando o pietismo, guardou profundo respeito pela religiosidade sincera dos pais, sobretudo da mãe.
A universidade
Na Universidade de Königsberg, Kant estudou filosofia, matemática e física. Seu professor favorito, Martin Knutzen, apresentou-lhe a física de Isaac Newton, que marcaria para sempre seu pensamento. Depois da morte do pai, trabalhou por cerca de seis anos como preceptor de famílias no interior.
Quinze anos como professor sem salário
Em 1755, começou a lecionar na universidade como Privatdozent: um professor sem salário, pago diretamente pelos alunos. Para sobreviver, dava cerca de vinte horas de aula por semana, sobre um leque espantoso de assuntos: lógica, metafísica, ética, matemática, física, geografia física e, mais tarde, antropologia — foi um dos primeiros a ensinar a disciplina na Alemanha —, teologia racional, pedagogia, direito natural, mineralogia e até fortificações militares.
Nesse período, publicou obras importantes. Na História natural universal e teoria do céu (1755), propôs que o sistema solar se formou a partir de uma nuvem de matéria em rotação — a chamada hipótese nebular. Em Sonhos de um visionário (1766), satirizou as visões espirituais do místico Swedenborg e, ao mesmo tempo, as pretensões da metafísica tradicional.
O professor e a década silenciosa
Em 1770, aos 46 anos, Kant tornou-se finalmente professor catedrático de lógica e metafísica, depois de recusar convites de outras universidades. Sua dissertação inaugural já distinguia a sensibilidade e o entendimento como faculdades diferentes e tratava o espaço e o tempo como formas subjetivas.
Seguiu-se a chamada década silenciosa: entre 1770 e 1781, Kant quase não publicou nada. Estava construindo a filosofia crítica. Mais tarde, diria que a leitura de David Hume o despertara de seu sono dogmático.
A rotina
Kant ficou famoso pela vida metódica. Conta-se que seus passeios diários eram tão regulares que os vizinhos acertavam os relógios por eles — uma história que pertence mais à lenda do que à biografia documentada. Solteiro, era também um anfitrião sociável, que recebia amigos para longos almoços e conversas.
A obra crítica
A partir dos 57 anos, Kant publicou, em ritmo impressionante, as obras que mudaram a filosofia:
- 1781 — Crítica da razão pura (segunda edição, muito revisada, em 1787);
- 1783 — Prolegômenos a toda metafísica futura, para esclarecer a Crítica, que os primeiros leitores não haviam compreendido;
- 1784 — Resposta à pergunta: o que é o esclarecimento? e Ideia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita;
- 1785 — Fundamentação da metafísica dos costumes;
- 1788 — Crítica da razão prática;
- 1790 — Crítica da faculdade do juízo;
- 1793 — A religião nos limites da simples razão;
- 1795 — À paz perpétua;
- 1797 — A metafísica dos costumes;
- 1798 — Antropologia de um ponto de vista pragmático.
A censura
A religião nos limites da simples razão provocou um conflito com o governo do rei Frederico Guilherme II, mais conservador que seu antecessor, Frederico, o Grande. Parte da obra foi barrada pela censura, e Kant recebeu uma repreensão real e o compromisso de não escrever mais sobre religião enquanto aquele rei vivesse.
Principais ideias
O que Kant pensou
Obras
O que escreveu
13 obras na biblioteca.
Influências
De onde veio, para onde foi
Influenciou
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