Cosmos da Filosofia
Schopenhauer, idoso, de cabelo branco desgrenhado, sentado em um escritório com estantes e um poodle branco dormindo aos pés

Século XIX

Schopenhauer

Viu no fundo do mundo uma vontade cega, e na vida um sofrimento com poucas saídas: a arte, a compaixão, a renúncia.

1788 – 1860Idealismo

Vida e obra

Arthur Schopenhauer foi o grande filósofo do pessimismo. Numa época em que os filósofos alemães viam a história como o avanço da razão, ele sustentou que, no fundo do mundo, não há razão nenhuma, mas uma força cega e insaciável — e que viver é, essencialmente, sofrer. Ignorado por quase toda a vida, tornou-se famoso na velhice e influenciou profundamente escritores, músicos e pensadores como Nietzsche, Wagner, Freud, Tolstói e Machado de Assis.

A vida

Um filho de comerciantes

Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Danzig — hoje Gdańsk, na Polônia. O pai, Heinrich Floris Schopenhauer, era um próspero comerciante e armador; teria escolhido o nome Arthur porque se escreve igual em alemão, francês e inglês, pensando no futuro comercial do filho. A mãe, Johanna, se tornaria uma romancista de sucesso.

Em 1793, quando Danzig foi anexada pela Prússia, a família mudou-se para Hamburgo. O jovem Arthur viajou muito pela Europa: viveu na França dos nove aos onze anos — período que considerou dos mais felizes de sua vida — e passou uma temporada em um internato na Inglaterra, do qual guardou péssimas lembranças. Aprendeu francês e inglês com fluência.

A morte do pai

Em 20 de abril de 1805, quando Arthur tinha dezessete anos, o pai morreu em Hamburgo, possivelmente por suicídio. Por respeito à sua vontade, Arthur continuou por algum tempo como aprendiz de comércio, mas aos dezenove anos abandonou a carreira para se dedicar aos estudos.

A mãe mudou-se para Weimar, onde abriu um salão frequentado por intelectuais, entre eles Goethe, e escreveu mais de vinte volumes de romances e biografias. A relação entre mãe e filho foi tempestuosa, e acabou em um rompimento definitivo.

A universidade

Schopenhauer estudou primeiro em Göttingen (1809–1811), inicialmente medicina. Ali, o filósofo Gottlob Ernst Schulze aconselhou-o a ler sobretudo Platão e Kant — os dois pilares de seu pensamento. Depois, em Berlim (1811–1813), assistiu às aulas de Fichte e Schleiermacher, além de cursos de física, astronomia, zoologia, fisiologia e muitas outras áreas.

A tese de doutorado

Em 1813, aos 25 anos, concluiu sua tese, Sobre a quádrupla raiz do princípio de razão suficiente, aprovada pela Universidade de Jena. Já ali, tratava os grandes nomes do idealismo alemão — Fichte, Schelling e Hegel — como charlatães, uma hostilidade que nunca abandonou.

Em Weimar, conviveu com Goethe, com quem discutiu a teoria das cores. Publicou Sobre a visão e as cores em 1816.

O encontro com a Índia

No fim de 1813, no salão da mãe, o orientalista Friedrich Majer apresentou-lhe o pensamento indiano. Schopenhauer começou a ler a Bhagavad Gita e, em 1814, os Upanixades, em uma tradução latina de Anquetil-Duperron. Mais tarde, estudou também o budismo. Poucos filósofos europeus de seu tempo levaram tão a sério o pensamento asiático.

A obra principal

Em Dresden, entre 1814 e 1818, escreveu sua grande obra: O mundo como vontade e representação, publicada no fim de 1818, com data de 1819. Tinha trinta anos. O livro passou praticamente despercebido.

O fracasso em Berlim

Em 1820, Schopenhauer conseguiu permissão para lecionar na Universidade de Berlim, onde Hegel era a grande estrela. Por orgulho, marcou suas aulas no mesmo horário das de Hegel. Quase ninguém apareceu. Foi uma humilhação que ele jamais esqueceu.

Em 1821, envolveu-se em uma briga violenta com uma vizinha, a costureira Caroline Marquet, que o processou. Ele perdeu a causa depois de anos e teve de lhe pagar uma pensão.

Frankfurt

Em 1831, fugindo de uma epidemia de cólera que atingiu Berlim, deixou a cidade. Em 1833, instalou-se em Frankfurt, onde viveu os 27 anos restantes. Levava uma vida rigorosamente regrada: estudo pela manhã, flauta, almoço em um hotel elegante, longas caminhadas, leitura do jornal The Times, concertos à noite e a leitura dos Upanixades antes de dormir. Viveu sozinho, acompanhado de uma sucessão de poodles.

Influências

De onde veio, para onde foi

Influenciado por

  • Kant

    Assume a distinção entre fenômeno e coisa em si, e identifica a coisa em si com a vontade.

  • Platão

    As Ideias platônicas reaparecem como objetos da contemplação estética.

Influenciou