Cosmos da Filosofia
Planície vazia sob um céu nublado uniforme, sem ponto focal

Ideia

Niilismo

Definição

A convicção de que nada tem valor ou sentido. Nietzsche o diagnosticou como consequência da desvalorização dos valores supremos — e como algo a atravessar, não a habitar.

Uma palavra que vem do nada

Niilismo vem do latim nihil, "nada". Em sentido amplo, designa a posição de quem nega: que haja verdade, que haja valores objetivos, que a vida tenha sentido, que as instituições tenham legitimidade. Mas a palavra teve uma história movimentada, e seus usos são bem diferentes entre si.

A história da palavra

Jacobi: a acusação contra a filosofia

Na virada do século XVIII para o XIX, o filósofo alemão Friedrich Heinrich Jacobi usou o termo como acusação. Para ele, a filosofia que pretende demonstrar tudo pela razão — a de Espinosa e, por extensão, o idealismo que nasceu de Kant — acabaria dissolvendo a fé, o mundo real e os valores em puras construções do pensamento. O resultado seria o nada.

Turguêniev e os niilistas russos

A palavra se popularizou com o romance Pais e filhos (1862), de Ivan Turguêniev. O jovem Bazárov, que se declara niilista, não aceita nenhum princípio por respeito à tradição: só reconhece o que a ciência pode demonstrar e nega a autoridade da religião, da família e das convenções.

Na Rússia, entre cerca de 1860 e 1917, o nome passou a designar um movimento revolucionário que rejeitava a autoridade do Estado, da Igreja e da família. O anarquista Mikhail Bakunin (1814–1876) expressou esse espírito ao sustentar que a paixão pela destruição é também uma paixão criadora.

Stirner

Na Alemanha, Max Stirner (1806–1856) é visto como um dos primeiros filósofos niilistas, por rejeitar todos os absolutos e tratar conceitos abstratos como "humanidade" ou "moral" como fantasmas que dominam o indivíduo.

As formas do niilismo

A palavra cobre posições muito diferentes, que convém distinguir:

  • Niilismo epistemológico: nega a possibilidade de conhecimento e de verdade.
  • Niilismo moral: nega que existam valores morais objetivos; bem e mal seriam ficções ou meras preferências.
  • Niilismo político: sustenta que destruir a ordem existente é condição para qualquer melhoria.
  • Niilismo existencial: afirma que a vida não tem sentido intrínseco. É a forma mais comum hoje.
  • Niilismo cósmico: o universo não tem finalidade alguma, e nossa existência não importa para ele.

Também é útil separar o niilismo de posições vizinhas. O ceticismo suspende o juízo sobre a verdade, mas não afirma que ela não existe. O pessimismo de Schopenhauer sustenta que a vida é essencialmente sofrimento — o que é um juízo de valor, e não a negação de todo valor.