Cosmos da Filosofia
Uma velha placa de estrada apontando para direções que não levam a lugar nenhum, num acostamento vazio sob um céu estrelado.

Douglas Adams · 1979

O Guia do Mochileiro das Galáxias

A Terra é destruída em nome de uma rodovia espacial — e a resposta para tudo é só um número.

ExistênciaNiilismo

Sobre a obra

Douglas Adams publicou O Guia do Mochileiro das Galáxias em outubro de 1979, pela editora britânica Pan Books, a partir de uma série de rádio que ele havia criado para a BBC. O livro vendeu 250 mil exemplares nos três primeiros meses.

A história segue Arthur Dent, que escapa por pouco da demolição da Terra — feita por uma raça alienígena para abrir espaço a uma via expressa interestelar — ao lado de Ford Prefect, que na verdade é um pesquisador alienígena disfarçado de humano. Juntos, os dois acabam embarcados numa nave roubada rumo ao planeta lendário Magrathea.

Lá, descobrem que a Terra era, na verdade, um supercomputador gigantesco, construído para calcular a Pergunta que corresponde à Resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais — resposta que um outro computador já havia calculado ser, sem maiores explicações, o número 42.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

O absurdo como resposta ao universo

O romance transforma a busca por um sentido último do universo numa piada: depois de milhões de anos de cálculo, a resposta chega como um número sem nenhum significado óbvio. É uma dramatização quase perfeita do que Camus chamava de absurdo — o choque entre o desejo humano de sentido e um universo mudo, que simplesmente não fornece respostas nesses termos. A diferença é que Adams responde ao absurdo com humor, não com a revolta que Camus propunha, mas o diagnóstico do descompasso é o mesmo.