Cosmos da Filosofia
Uma superfície líquida escura e ondulante vista de cima, refletindo de forma distorcida uma luz distante, sem nenhuma embarcação à vista.

Stanisław Lem · 1961

Solaris

Um oceano alienígena devolve aos cientistas as memórias que eles mais queriam esquecer.

ConhecimentoConsciênciaSofrimento

Sobre a obra

O escritor polonês Stanisław Lem publicou Solaris em 1961; a tradução para o inglês só chegou em 1970. O romance se passa numa estação de pesquisa que orbita o planeta Solaris, quase todo coberto por um oceano que os cientistas suspeitam ser uma forma de inteligência.

Depois de décadas de tentativas frustradas de se comunicar com o oceano, incluindo experimentos agressivos com radiação, ele começa a criar réplicas físicas de pessoas ligadas às memórias mais dolorosas de cada tripulante. O psicólogo Kris Kelvin, recém-chegado à estação, se vê diante de uma reprodução de alguém de seu passado, criada a partir de suas próprias lembranças.

Lem escolheu deliberadamente um oceano, e não uma criatura com rosto, para evitar qualquer semelhança fácil com os humanos: seu alvo era mostrar um contato com uma inteligência genuinamente estranha, que resiste a ser compreendida nos termos de quem tenta estudá-la.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Os limites do conhecimento humano

Os cientistas da estação dedicam gerações inteiras a decifrar o oceano de Solaris, produzindo bibliotecas de teorias que não chegam a lugar nenhum. É quase uma ilustração da distinção que Kant fazia entre o que aparece para nós e a coisa em si: por mais que a razão humana avance, pode haver algo real diante dela que simplesmente escapa às categorias com que pensamos o mundo. Lem não oferece uma resposta tranquilizadora — a estação segue orbitando um mistério que os instrumentos da ciência não conseguem traduzir.