Cosmos da Filosofia
Pegadas na areia molhada ao entardecer, sendo apagadas aos poucos pelas ondas, com um poste de luz solitário ao longe

Christopher Nolan · 2000

Amnésia

Um homem incapaz de formar novas memórias usa fotos, bilhetes e tatuagens para procurar o assassino da mulher.

ConsciênciaVerdadeSofrimento

Sobre a obra

Escrito e dirigido por Christopher Nolan a partir de um conto de seu irmão, Jonathan Nolan, Amnésia estreou no Festival de Veneza em 5 de setembro de 2000 e chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 16 de março de 2001. Guy Pearce vive Leonard Shelby, um homem com amnésia anterógrada, incapaz de formar novas memórias de longo prazo.

O filme alterna cenas em preto e branco, em ordem cronológica, com cenas coloridas mostradas de trás para a frente, para que o espectador partilhe a condição do protagonista, que também não sabe o que veio antes. Jonathan contou a ideia ao irmão em 1996, durante uma viagem de carro de Chicago a Los Angeles.

Nolan citou como influência o conto Funes, o memorioso, de Jorge Luis Borges, sobre um homem que não consegue esquecer nada. Feito com 9 milhões de dólares, o filme arrecadou 40 milhões e foi indicado aos Oscars de roteiro original e montagem. A crítica destacou seus temas: memória, percepção, luto e autoengano.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Locke, Hume e o eu remendado

Para John Locke, somos a mesma pessoa na medida em que a consciência se estende a ações e pensamentos passados. Leonard guarda a vida até o ataque, mas nada do que fez depois: seria ele o autor desses atos? David Hume foi mais longe e disse não encontrar em si nenhum eu permanente, só um feixe de percepções em fluxo. Sem conseguir guardar o presente, Leonard precisa remontar quem é a partir de fotos e anotações, como um eu feito de pedaços.