Cosmos da Filosofia
Calçada de subúrbio no fim do outono, com folhas secas passando por um banco de madeira vazio sob um sol baixo e pálido

Charles M. Schulz · 1950–2000

Peanuts

Charlie Brown, Snoopy e seus amigos enfrentam fracassos, ansiedades e pequenas esperanças ao longo de cinco décadas.

SofrimentoFelicidadeAtaraxia

Sobre a obra

Tira criada por Charles M. Schulz e distribuída pela United Feature Syndicate de 2 de outubro de 1950 a 13 de fevereiro de 2000, num total de 17.897 tiras. Schulz morreu na noite anterior à publicação da última. No auge, Peanuts saía em mais de 2.600 jornais de 75 países. No Brasil, também ficou conhecida como Minduim, nome dado a Charlie Brown.

Charlie Brown, o protagonista, é um menino azarado e inseguro, marcado por fracassos: a pipa que não sobe, os jogos de beisebol perdidos, a bola que Lucy sempre tira na hora do chute. Seu beagle, Snoopy, leva a fantasia à tira com uma série de alter egos. Linus encontra segurança num cobertor, ideia que Schulz tirou dos próprios filhos, e Lucy dá conselhos psiquiátricos por cinco centavos.

Peanuts é descrita como uma tira literária, com dimensões filosóficas, psicológicas e sociológicas, algo inovador nos anos 1950. Para o cartunista Tom Batiuk, por trás da superfície alegre havia vulnerabilidades e ansiedades que todos conhecem e poucos admitem. Schulz detestava o nome Peanuts, escolhido pela distribuidora. Numa lista das melhores HQs do século XX, a tira ficou atrás apenas de Krazy Kat.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Charlie Brown e Sísifo

Toda vez, Lucy segura a bola e garante que não vai tirá-la; toda vez, Charlie Brown corre para chutar e acaba de costas no chão. A cena se repete por décadas, como o castigo de Sísifo, condenado a empurrar uma pedra morro acima para vê-la rolar de volta. Camus leu o mito como imagem da condição humana diante de um mundo sem garantias e concluiu que é preciso imaginar Sísifo feliz. Charlie Brown talvez não seja feliz, mas nunca desiste de tentar, e nisso há uma dignidade teimosa.