Cosmos da Filosofia
Água completamente parada em uma bacia de pedra ao amanhecer, refletindo o céu

Ideia

Ataraxia

Definição

Tranquilidade: ausência de perturbação da alma. Ideal comum a epicuristas, estoicos e céticos, alcançado por caminhos diferentes.

A calma como meta

Ataraxia é uma palavra grega formada por a-, "sem", e taraché, "agitação", "perturbação". Significa, literalmente, ausência de perturbação: um estado de serenidade em que a alma não é sacudida por medos, ansiedades e desejos desordenados. A imagem da água parada, que reflete o céu sem distorção, ajuda a entender a ideia.

O conceito ganhou importância no Helenismo, a época que se seguiu à morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C. As grandes escolas desse período — epicuristas, céticos e estoicos — discordavam em quase tudo, mas convergiam em uma promessa: a filosofia deveria conduzir a uma vida livre de perturbação. A diferença estava no caminho.

O caminho epicurista: examinar medos e desejos

O prazer como tranquilidade

Para Epicuro (341–270 a.C.), o fim da vida é o prazer — mas não uma sucessão de gozos intensos. Ele distinguia os prazeres cinéticos, que acompanham a satisfação de um desejo (comer quando se tem fome), do prazer catastemático, um estado estável de bem-estar. O prazer mais alto seria justamente um estado: a ausência de dor no corpo, a aponia, e a ausência de perturbação na alma, a ataraxia.

Os medos

O que mais perturba a alma, segundo Epicuro, são medos infundados:

  • O medo dos deuses. Os deuses existem, mas não se ocupam dos assuntos humanos — isso perturbaria sua própria felicidade perfeita. Não há, portanto, castigos divinos a temer.
  • O medo da morte. A morte não é nada para nós: enquanto existimos, ela não está presente; quando ela chega, já não existimos. Não há ninguém para quem ela seja um mal.

A física atomista tinha exatamente essa função: explicar os fenômenos naturais — raios, eclipses, terremotos — por causas naturais, dissolvendo o terror de que fossem sinais de ira divina.

Os desejos

A outra fonte de perturbação são os desejos mal compreendidos. Epicuro os classificava em três tipos:

  • naturais e necessários, como comer, beber e abrigar-se — fáceis de satisfazer;
  • naturais, mas não necessários, como comidas refinadas — que não fazem mal, mas das quais não se deve depender;
  • vazios, como riqueza, fama e poder — que não têm limite natural e, por isso, nunca se satisfazem.

Quem aprende a distinguir esses desejos descobre que precisa de pouco para viver bem. Por isso os epicuristas preferiam a vida simples, a amizade e o afastamento da política, vista como fonte inesgotável de disputas e ansiedades. O epicurismo tem página própria no site.