Cosmos da Filosofia
Chama de uma lamparina a óleo no instante em que se apaga, com um fio de fumaça

Ideia

Morte

Definição

Limite da existência e, para muitos filósofos, a origem da própria filosofia: aprender a morrer, dizia Platão, é aprender a viver.

A certeza que organiza todas as outras

A morte é a única certeza que todos compartilham — e, ao mesmo tempo, algo que ninguém pode experimentar e depois contar como foi. A filosofia se ocupa dela desde o início, com perguntas de naturezas muito diferentes:

  • O que é morrer? Quando exatamente alguém morre?
  • Sobrevivemos à morte de algum modo?
  • A morte é um mal para quem morre? Se é, quando e para quem?
  • Seria bom não morrer?
  • Como a consciência da morte muda a vida?

O que é a morte

Perder a vida

Uma resposta natural é que morrer é perder a vida — a capacidade de um organismo de se manter por meio de atividades vitais, como o metabolismo. O organismo morre quando perde essa capacidade e passa a estar morto.

Os critérios médicos

A pergunta se tornou urgente com a medicina moderna, capaz de manter funções corporais artificialmente. Nos Estados Unidos, uma lei de 1981 define a morte como a cessação irreversível das funções circulatória e respiratória ou de todas as funções do cérebro, incluindo o tronco encefálico. No Reino Unido, o critério é a morte do tronco encefálico.

Parado não é morto

Um embrião congelado não realiza nenhuma atividade vital, mas não está morto: ele conserva a capacidade de realizá-las. Distinguir o que é viável (capaz de viver) do que é vital (vivendo de fato) ajuda a entender por que suspensão não é morte.

Quando "nós" morremos

A resposta depende também do que somos. Se somos organismos humanos, morremos quando o organismo morre. Se somos pessoas — seres com consciência de si e continuidade psicológica —, poderíamos deixar de existir antes do corpo, como em uma perda total e irreversível da consciência. Se somos mentes, morremos quando a mente cessa.

Platão: a filosofia como preparação

No Fédon, Platão retrata as últimas horas de Sócrates, condenado à morte em 399 a.C. Diante da execução, Sócrates conversa com os amigos e defende que a alma é imortal e distinta do corpo. A atitude de Sócrates — sereno, conversando sobre filosofia até o fim — tornou-se um modelo de como encarar a morte, e a ideia de que filosofar é, de algum modo, preparar-se para morrer atravessou os séculos.

Epicuro: a morte não é nada para nós

O argumento

Epicuro (341–270 a.C.) formulou um dos argumentos mais famosos da história da filosofia. A morte é a privação da sensação. Todo bem e todo mal residem na sensação. Logo, a morte não pode ser um mal para nós: enquanto existimos, a morte não está presente; quando a morte chega, já não existimos. Nunca há um sujeito para quem a morte seja ruim.

O objetivo era prático: libertar as pessoas do medo da morte, uma das maiores fontes de perturbação da alma. Veja a página sobre a ataraxia.

As fragilidades

O argumento se apoia em duas premissas: que só o prazer e a dor importam em si mesmos, e que algo só nos prejudica se nos causa dor. Os críticos apontam dois problemas. Primeiro, ele confunde morrer, que pode doer, com estar morto, que não dói. Segundo, se o que importa não é só o prazer, mas também a realização dos nossos desejos e projetos, a morte pode nos prejudicar sem causar nenhuma experiência dolorosa: ela frustra o que queríamos fazer.