
Ideia
Tempo
Definição
Medida da mudança, forma da sensibilidade ou o bem mais escasso que temos — depende de quem responde. Para Sêneca, o único bem que realmente nos pertence.
O mais familiar e o mais estranho
Nada parece mais evidente do que o tempo. Marcamos compromissos, envelhecemos, lembramos do passado e esperamos o futuro. Mas basta tentar dizer o que ele é para a evidência desaparecer. O passado já não existe; o futuro ainda não existe; o presente, se não passasse, não seria tempo, e se passa, parece não ter duração nenhuma.
A filosofia fez perguntas muito diferentes sobre o tempo:
- O tempo existe independentemente das coisas que mudam, ou é só a medida da mudança?
- Está no mundo ou em nós?
- Só o presente é real, ou passado e futuro são igualmente reais?
- O tempo realmente passa?
- Por que ele tem uma direção?
- Como percebemos a duração e a sucessão?
- E, na vida prática: como usar o pouco tempo que temos?
Os gregos
Parmênides e Zenão: a mudança é possível?
Parmênides de Eleia sustentou que o ser não pode surgir do não ser nem desaparecer nele. Se é assim, a mudança — e, com ela, a passagem do tempo — seria uma ilusão dos sentidos. Seu discípulo Zenão defendeu a tese com paradoxos famosos. No mais conhecido, Aquiles nunca alcançaria uma tartaruga que parte à frente: quando ele chega ao ponto onde ela estava, ela já avançou um pouco; quando chega a esse novo ponto, ela avançou de novo, e assim infinitamente. Outro paradoxo sugere que uma flecha em voo está, a cada instante, parada no lugar que ocupa — como então ela se move?
Os paradoxos obrigaram a pensar com rigor a relação entre o tempo, os instantes e o infinito, e foram discutidos até a matemática moderna.
Aristóteles: o número do movimento
Aristóteles, na Física, recusou tanto a ideia de que o tempo não existe quanto a de que ele seja uma coisa independente. O tempo não existe sem a mudança: se nada mudasse e não percebêssemos nenhuma mudança, não teríamos consciência de que o tempo passou. Mas também não é a própria mudança, que pode ser mais rápida ou mais lenta. O tempo seria o número do movimento segundo o antes e o depois — aquilo que contamos quando medimos uma mudança.
Aristóteles sustentou ainda que o tempo não teve começo: todo instante é o fim de um passado e o início de um futuro, e por isso não pode haver um primeiro instante.
Agostinho: o tempo na alma
Nas Confissões, Agostinho (354–430) escreveu uma das reflexões mais célebres sobre o tempo. Ele observa que, se ninguém lhe pergunta o que é o tempo, ele sabe; se quer explicá-lo a quem pergunta, já não sabe.
O problema é que o passado já não é e o futuro ainda não é. Como então medimos tempos longos e curtos, se eles não existem? A resposta de Agostinho é deslocar o tempo para a alma. Não haveria propriamente três tempos, mas três formas de presente:
- o presente do passado, que é a memória;
- o presente do presente, que é a atenção;
- o presente do futuro, que é a expectativa.
Medir o tempo seria medir as impressões que as coisas deixam na mente. A reflexão de Agostinho influenciou profundamente a fenomenologia do século XX.
Newton ou Leibniz: o tempo é uma coisa?
No início da época moderna, a pergunta ganhou nova forma.
- Isaac Newton defendeu um tempo absoluto, que flui uniformemente, independentemente de qualquer coisa que exista ou aconteça. O tempo seria uma espécie de recipiente em que os acontecimentos ocorrem. Essa posição se chama substancialismo.
- Leibniz respondeu que o tempo não é nada além das relações de antes, depois e simultaneidade entre os acontecimentos. É o relacionismo. Seu argumento: imagine um universo exatamente igual ao nosso, mas criado um segundo mais tarde. Não haveria nenhuma diferença observável entre os dois — e, por isso, não faria sentido dizer que são dois mundos diferentes. Um tempo absoluto independente das coisas seria uma ficção.





