Cosmos da Filosofia
Copo de chá esfriando num parapeito ao entardecer, ao lado de uma pequena pilha de livros gastos, com montanhas nevadas ao longe além de uma cidade silenciosa

Marjane Satrapi · 2000–2003

Persépolis

Marjane Satrapi desenha a própria infância no Irã da Revolução Islâmica e da guerra, e a vida longe de casa.

LiberdadeExistênciaSofrimento

Sobre a obra

Autobiografia em quadrinhos de Marjane Satrapi, escrita em francês e publicada pela L'Association em quatro volumes, entre 2000 e 2003. Em inglês, saiu em dois volumes pela Pantheon, em 2003 e 2004, e no Brasil pela Companhia das Letras. Os desenhos são em preto e branco, de traço simples e alto contraste. Até 2018, a obra tinha vendido mais de 2 milhões de exemplares.

Satrapi conta a própria infância no Irã durante a Revolução Islâmica e a guerra com o Iraque, a adolescência em Viena, para onde foi enviada, e a volta a Teerã como jovem adulta. Filha de pais politicamente engajados, de esquerda, a menina acompanha de perto a repressão, a imposição do véu e as perdas dentro da própria família.

Satrapi escreveu que o Irã, uma civilização antiga e grandiosa, costuma ser discutido quase só em ligação com fundamentalismo, fanatismo e terrorismo, e que um país inteiro não deve ser julgado pelos erros de alguns extremistas. Quis também que não fossem esquecidos os que morreram nas prisões ou na guerra. A obra ganhou o prêmio de roteiro do Festival de Angoulême e virou filme de animação em 2007, dirigido por ela e Vincent Paronnaud.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Kant e a coragem de pensar

Para Kant, esclarecimento é sair da menoridade, a incapacidade de usar o próprio entendimento sem a direção de outro. Persépolis encena esse conflito dentro da cabeça de uma criança. A escola e o regime ensinam o que se deve pensar e vestir; os pais, engajados e leitores, a incentivam a perguntar e a julgar por conta própria. Crescer, para Marji, é aprender a usar a própria razão num lugar em que isso pode custar caro, e descobrir que a coragem de pensar também tem um preço.