Cosmos da Filosofia
Uma pedreira vazia ao entardecer, com uma corda desgastada enrolada ao lado de sulcos profundos gravados na rocha, sombras longas se estendendo pelo chão.

Mitologia grega · séc. VIII a.C. – séc. II d.C.

O mito de Sísifo (e a leitura de Camus)

Condenado a rolar uma pedra montanha acima para sempre — símbolo, para Camus, do trabalho sem sentido.

ExistênciaSofrimentoLiberdade

Sobre a obra

A punição de Sísifo aparece já na Odisseia de Homero (Canto XI, séc. VIII a.C.), na visita de Ulisses ao mundo dos mortos: o poeta descreve a pedra que Sísifo empurra montanha acima e que sempre rola de volta antes do cume.

Séculos depois, o mitógrafo Apolodoro (Biblioteca, séc. I–II d.C.) reúne a história completa: Sísifo, rei de Corinto, teria denunciado um segredo de Zeus, acorrentado a Morte (Tânatos) e enganado Perséfone para escapar do mundo dos mortos — daí a punição eterna. Ovídio, nas Metamorfoses, conta que Sísifo interrompe por um instante seu trabalho, comovido, ao ouvir o canto de Orfeu.

Em 1942, o filósofo e escritor Albert Camus publicou o ensaio O Mito de Sísifo, que usa a figura para discutir o absurdo: a tensão entre o desejo humano de sentido e o silêncio do universo. Camus rejeita o suicídio como resposta e propõe a revolta consciente diante da tarefa sem fim.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Camus e o herói absurdo

Para Camus, Sísifo é o herói absurdo por excelência: consciente de que a pedra sempre voltará a cair, ele continua empurrando. Não há ilusão de progresso nem promessa de descanso. A felicidade que Camus atribui a Sísifo não vem de esperança, mas do instante em que ele aceita plenamente sua tarefa sem precisar de um sentido que venha de fora dela. "É preciso imaginar Sísifo feliz" resume essa revolta: viver o absurdo em vez de negá-lo ou fugir dele pelo suicídio ou pela fé.