Em outubro de 1926, a Vogue americana publicou um desenho a nanquim de um vestido preto simples criado por Coco Chanel: reto, até a altura da panturrilha, com mangas compridas, cintura baixa marcada por um cinto, usado com colar de pérolas, sapatos e um chapéu cloche.
A revista chamou a peça de "o Ford de Chanel", numa comparação com o Model T, e previu que se tornaria uma espécie de uniforme para toda mulher de bom gosto. Diferente do carro de Henry Ford, porém, a casa Chanel oferecia o vestido em variações — a ideia era uma elegância simples e reproduzível, não uma peça única de luxo.
Até então, o preto estava associado ao luto e a librés de serviço, como o uniforme de empregadas; Chanel, que já era conhecida por usar jérsei e cortes inspirados na roupa masculina, transformou a cor em opção de alta-costura para o fim de tarde e o coquetel, deslocando a moda feminina das convenções mais rígidas da era vitoriana.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.