Em fevereiro de 1996, na Filadélfia, o supercomputador Deep Blue, da IBM, enfrentou o campeão mundial Garry Kasparov e venceu a primeira partida — mas perdeu o confronto por 4 a 2. Um ano depois, entre 3 e 11 de maio de 1997, em Nova York, a revanche terminou com vitória de Deep Blue por 3,5 a 2,5, a primeira derrota de um campeão mundial de xadrez para uma máquina numa partida sob condições oficiais de torneio.
Deep Blue analisava posições por força bruta computacional, ajudado por um livro de aberturas com cerca de 700 mil partidas de grandes mestres e por engenhos especializados em finais de jogo. Depois da derrota, Kasparov acusou a IBM de ter usado intervenção humana durante a segunda partida, questionando o lance 37.Be4, que considerou sofisticado demais para uma máquina.
Analises posteriores mostraram que Kasparov poderia ter forcado um empate por xeque perpetuo naquela posicao, e nenhuma prova de manipulacao jamais apareceu. Em 2017, no livro Deep Thinking, Kasparov afirmou publicamente que retirava as acusacoes feitas na epoca. O episodio ficou registrado como um marco simbolico da inteligencia artificial superando, num dominio especifico, a mais alta habilidade humana reconhecida.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.