Em outubro de 1950, Alan Turing, então na Universidade de Manchester, publicou na revista Mind o artigo “Computing Machinery and Intelligence”. Em vez de responder diretamente se as máquinas podem pensar, ele propôs outra pergunta: haveria computadores digitais imagináveis capazes de se sair bem em um jogo da imitação?
O ponto de partida é um jogo de salão com três participantes, em que um interrogador faz perguntas a um homem e a uma mulher em outra sala para descobrir quem é quem. Na versão que ficou conhecida, um avaliador julga uma conversa escrita entre um ser humano e uma máquina. Turing previu que, até o fim do século XX, um interrogador não teria mais de 70% de chance de acertar depois de cinco minutos de perguntas.
O artigo examina nove objeções à ideia de máquinas que pensam, entre elas a religiosa, o argumento da consciência e a objeção de Ada Lovelace, para quem a máquina analítica não tinha pretensão de criar nada. A ideia tem um precursor em Descartes, que no Discurso do método, de 1637, duvidava que uma máquina pudesse arranjar a fala para responder adequadamente a tudo.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.