Cosmos da Filosofia
Biblioteca universitária contemporânea de concreto e vidro, sem pessoas

séc. XX–hoje

Filosofia Contemporânea

Fenomenologia, existencialismo, filosofia analítica: a filosofia se multiplica em métodos e temas.

Um século partido em tradições

A filosofia do século XX não tem um centro. Ela se desenvolve em várias frentes ao mesmo tempo, com métodos, vocabulários e perguntas diferentes — e, durante boa parte do século, em duas grandes tradições que pouco conversavam entre si:

  • a filosofia analítica, forte no mundo de língua inglesa, centrada na lógica, na linguagem e na clareza argumentativa;
  • a chamada filosofia continental, forte na Alemanha e na França, que inclui a fenomenologia, o existencialismo e, mais tarde, o pensamento pós-moderno de autores como Michel Foucault e Jacques Derrida.

Tudo isso acontece em um século marcado por duas guerras mundiais, pelo nazismo, pelos campos de extermínio e pelas bombas atômicas. Muitos filósofos foram obrigados a emigrar, e as ideias atravessaram fronteiras com eles.

A filosofia analítica

A revolta contra o idealismo

Por volta de 1900, na Grã-Bretanha, G. E. Moore e Bertrand Russell romperam com o idealismo britânico, então dominante nas universidades. Idealistas como F. H. Bradley e J. M. E. McTaggart sustentavam que a realidade é um todo único e indivisível, de natureza espiritual. Moore e Russell defenderam o contrário: um realismo sobre o mundo comum, em que existem muitas coisas independentes. Russell lembraria depois ter sentido essa ruptura como uma libertação. Gottlob Frege é muitas vezes apontado como precursor da tradição, embora não tivesse as mesmas ambições revolucionárias.

As fases

1900–1910: realismo e análise. Moore inaugura um modo de fazer filosofia que ataca problemas isolados, em vez de construir grandes sistemas, examinando cuidadosamente proposições e significados.

1910–1930: atomismo lógico e linguagem ideal. Russell formula a teoria das descrições (1905), que resolve problemas sobre frases que falam de coisas inexistentes, e publica com Whitehead os Principia Mathematica (1910–1913), cuja lógica serviria de "linguagem ideal" para a análise filosófica. Ludwig Wittgenstein leva a ideia ao extremo no Tractatus Logico-Philosophicus (1921): as proposições espelhariam a estrutura dos fatos do mundo, e os problemas tradicionais da filosofia seriam confusões sem sentido.

1930–1945: positivismo lógico. Em Viena, reunido em torno de Moritz Schlick nos anos 1920, o Círculo de Viena — com Rudolf Carnap e Otto Neurath, entre outros — combinou o espírito científico com a análise lógica. Adotou o princípio de verificação: uma afirmação que não seja uma tautologia só tem sentido se puder ser verificada pela experiência. A. J. Ayer popularizou essas ideias na Grã-Bretanha com Linguagem, verdade e lógica (1936). O princípio, porém, esbarrou em um problema: ele próprio não pode ser verificado empiricamente.

1945–1965: filosofia da linguagem comum. O segundo Wittgenstein revisou radicalmente suas ideias. Nas Investigações filosóficas (1953), abandonou a tese de que a linguagem tem uma estrutura lógica universal: a linguagem funciona como um conjunto de jogos, com regras que variam segundo o contexto e as formas de vida. Os problemas filosóficos nasceriam do mau uso da linguagem e se dissolveriam com o exame de seu uso comum. Em Oxford, Gilbert Ryle, J. L. Austin, Peter Strawson e Paul Grice desenvolveram essa abordagem.