Cosmos da Filosofia
Bar de jazz vazio tarde da noite, com um saxofone apoiado sobre um banco sob um único foco de luz quente e chuva escorrendo pela janela

Sunrise · 1998–1999

Cowboy Bebop

Caçadores de recompensas vagam pelo sistema solar em 2071, ao som de jazz, sem conseguir fugir do próprio passado.

TempoExistênciaSofrimento

Sobre a obra

Série de TV em 26 episódios, chamados de sessões, produzida pelo estúdio Sunrise. Foi o primeiro trabalho de Shinichirō Watanabe como diretor solo, com roteiro de Keiko Nobumoto e música de Yoko Kanno, sobretudo jazz. Em 1998, a TV Tokyo exibiu só parte dos episódios, por causa do horário e da violência; a série completa passou no canal Wowow entre outubro de 1998 e abril de 1999.

Em 2071, um grupo de caçadores de recompensas viaja a bordo da nave Bebop. O protagonista, Spike Spiegel, é um ex-matador de uma organização criminosa, o Sindicato Dragão Vermelho, que forjou a própria morte para deixá-la. Com ele estão o ex-policial Jet Black, a trapaceira Faye Valentine, a jovem hacker Ed e o cão Ein.

Watanabe concebeu a série como 80% história séria e 20% humor, misturando ficção científica, faroeste e noir. Entre os temas apontados estão o tédio existencial, a solidão e a impossibilidade de escapar do próprio passado; cada tripulante carrega uma solidão profunda ou certa resignação diante do destino. Em 2001 saiu um longa-metragem com a mesma equipe, ambientado entre os episódios 22 e 23.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

O peso do carma

O eixo da série é o passado de Spike e o efeito cármico que ele tem sobre o presente. No budismo, carma não é castigo divino: é o princípio pelo qual as ações intencionais deixam marcas e produzem consequências que voltam a quem as praticou. Spike forjou a própria morte para romper com o Sindicato, mas segue vivendo como quem não encerrou uma história. A leitura sugere que trocar de nome, de nave e de ofício não basta para se desfazer do que se fez.