Cosmos da Filosofia
Casca vazia de uma cigarra presa a um corrimão de metal molhado de chuva à noite, iluminada por reflexos frios de neon vindos de uma cidade fora de vista

Production I.G · 1995

Ghost in the Shell

Numa cidade de 2029, uma agente ciborgue caça um hacker misterioso e se pergunta se ainda resta nela algo humano.

ConsciênciaExistênciaMorte

Sobre a obra

Longa-metragem de animação dirigido por Mamoru Oshii, com animação da Production I.G, lançado no Japão em 18 de novembro de 1995, com 82 minutos. O roteiro, de Kazunori Itō, adapta o mangá de Masamune Shirow, de 1989, e a trilha é de Kenji Kawai. Em 2004, Oshii dirigiu Innocence, apresentado como continuação independente.

No universo da obra, a tecnologia permite ligar o cérebro biológico a redes de computadores. Em 2029, na cidade fictícia de New Port City, a major Motoko Kusanagi, ciborgue da Seção 9 da segurança pública, persegue um hacker misterioso conhecido como Mestre dos Fantoches. A caçada é atravessada por questões de identidade e pela dúvida da própria major sobre o que ainda a torna humana.

O filme trata da natureza dos ciborgues, da consciência, de programas de computador conscientes de si e da alteração de memórias. Os irmãos Wachowski o mostraram ao produtor Joel Silver, dizendo querer fazer aquilo de verdade, e Matrix tomou dele ideias como a chuva de caracteres digitais da abertura e a conexão às máquinas pela nuca.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Descartes e o fantasma na máquina

A dúvida de Kusanagi, se ainda é humana num corpo quase todo artificial, pressupõe uma divisão que vem de Descartes: de um lado, a mente, coisa que pensa; de outro, o corpo, coisa extensa, que funciona como uma máquina. Em 1949, Gilbert Ryle chamou essa imagem, com ironia, de dogma do fantasma na máquina, expressão que o título da obra faz ressoar. A ficção leva o dualismo ao limite: se o corpo é uma casca substituível, o que garante que ainda há alguém lá dentro?