Cosmos da Filosofia
Uma bandeja de refeitório com uma tigela de frutas à altura dos olhos na frente e uma prateleira de doces mais atrás e mais alta, luz neutra suave, sem texto nem pessoas

Richard Thaler e Cass Sunstein · 2008

Nudge

Um livro que popularizou o "empurrão": mudanças discretas no ambiente que guiam escolhas sem proibir nada.

LiberdadeVirtudeMoral

Sobre a obra

Os economistas Richard Thaler e Cass Sunstein publicaram, em 2008, o livro Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness, que popularizou entre governos e empresas a ideia de "empurrão": pequenas mudanças no desenho de um ambiente de escolha que alteram o comportamento das pessoas de forma previsível, sem proibir nenhuma opção nem impor custos relevantes a quem quiser escolher diferente.

Os autores chamaram essa abordagem de "paternalismo libertário": libertário porque preserva a liberdade de escolha; paternalista porque assume que a arquitetura da escolha pode, de forma legítima, guiar as pessoas para decisões que elas mesmas considerariam melhores. Entre os exemplos que discutem estão colocar frutas mais visíveis do que doces nas cantinas e usar a opção padrão para aumentar a adesão a planos de previdência ou energia renovável.

Em 2017, Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas por suas contribuições à economia comportamental, incluindo o estudo da racionalidade limitada e da arquitetura de escolha que fundamenta o livro. Pesquisas mais recentes, porém, têm questionado a eficácia de muitos nudges quando os estudos originais são reanalisados sem viés de publicação.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Mill e o paternalismo que ele rejeitava

John Stuart Mill defendia, em Sobre a liberdade, que a única razão legítima para interferir nas escolhas de um adulto é impedir dano a terceiros — nunca o simples argumento de que a interferência seria "para o próprio bem" da pessoa. Thaler e Sunstein contornam essa objeção batizando sua proposta de "paternalismo libertário": como a opção alternativa continua disponível, argumentam, a liberdade formal se mantém intacta. Mill provavelmente desconfiaria da distinção — para ele, moldar o ambiente para empurrar alguém numa direção específica já é uma forma de tutela, mesmo que nenhuma porta seja fechada.