A Democracia Corinthiana nasceu no início dos anos 1980 no Sport Club Corinthians, liderada pelo meia Sócrates e pelo lateral-esquerdo Wladimir, com apoio do presidente do clube, Waldemar Pires, e depois do diretor Adilson Monteiro Alves. O movimento reagia ao modo autoritário como o futebol brasileiro costumava tratar os jogadores, num país ainda sob governo militar.
Na prática, os jogadores discutiam e decidiam por voto — simples levantar de mãos — questões que os afetavam diretamente: horário de almoço, manutenção da concentração antes dos jogos, liberdade para expressar opiniões políticas e para consumir bebida alcoólica em público. O lema do grupo era “ganhar ou perder, mas sempre com democracia”.
Em 1982, o time estampou “Vote no 15” nas camisas, pedindo votos na primeira eleição com vários partidos desde o golpe de 1964, e venceu os Campeonatos Paulistas de 1982 e 1983. O movimento terminou em 1984: Sócrates dissera que só deixaria o clube se a emenda Dante de Oliveira, pelas eleições diretas, não fosse aprovada; como não foi, transferiu-se para a Fiorentina, da Itália.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.