Cosmos da Filosofia
Um mostrador de relógio antigo, sem ponteiros, apoiado sobre um parapeito enevoado, gotas de condensação sobre o vidro numa luz cinzenta e suave.

Denis Villeneuve · 2016

A Chegada

Uma linguista aprende a língua de visitantes alienígenas — e, com ela, uma nova forma de viver o tempo.

TempoLiberdade

Sobre a obra

A Chegada foi dirigido por Denis Villeneuve e lançado em 2016 pela Paramount Pictures, com roteiro de Eric Heisserer baseado no conto Story of Your Life (1998), de Ted Chiang, vencedor do prêmio Nebula. A linguista Louise Banks é convocada pelo Exército americano para decifrar a linguagem de seres alienígenas de sete membros, os heptápodes, que pousaram em doze pontos da Terra.

Enquanto tenta se comunicar com os visitantes antes que a tensão internacional se transforme em conflito armado, Louise aprende a linguagem escrita circular dos heptápodes — e essa aprendizagem começa a alterar sua própria forma de perceber o tempo, misturando lembranças, o presente e o que parecem ser eventos futuros.

O filme recebeu oito indicações ao Oscar e foi elogiado por explorar com seriedade a hipótese linguística de Sapir-Whorf, segundo a qual a língua que falamos pode influenciar o modo como pensamos — embora linguistas tenham notado que o filme simplifica bastante o alcance real dessa hipótese.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sapir-Whorf e uma língua que muda o tempo

A premissa central do filme radicaliza a hipótese de Sapir-Whorf: aprender uma língua não linear, mas simultânea, transforma a própria experiência de Louise sobre o que é passado, presente e futuro. Não é só uma questão linguística — é uma tese sobre como a estrutura de um idioma pode moldar categorias tão básicas quanto a nossa noção de tempo, uma discussão que atravessa tanto a linguística quanto a filosofia da linguagem desde o século XX.