Cosmos da Filosofia
Duas trilhas de pegadas paralelas cruzando uma vasta planície de gelo sob um céu cinzento, sem nenhuma figura visível.

Ursula K. Le Guin · 1969

A Mão Esquerda da Escuridão

Num planeta gelado, um enviado alienígena aprende a confiar num povo sem gênero fixo.

JustiçaLiberdade

Sobre a obra

Ursula K. Le Guin publicou A Mão Esquerda da Escuridão em 1969, pela editora Ace Books, como parte do chamado Ciclo Hainish. A história se passa no planeta Gethen, também chamado Inverno, habitado por humanos ambissexuados que só assumem características masculinas ou femininas durante um breve período mensal chamado kemmer.

O enviado Genly Ai chega a Gethen para convencer suas nações a se juntarem a uma confederação interplanetária, a Ecumene. Mal-entendidos culturais com o primeiro-ministro de uma das nações, Estraven, levam à prisão e à fuga de Genly, e os dois acabam enfrentando juntos uma travessia de oitenta dias por um gelo hostil.

O romance venceu os prêmios Hugo e Nebula de 1970 e é considerado por críticos como Harold Bloom uma das obras mais importantes de Le Guin. A ausência de gênero fixo na sociedade de Gethen é usada para investigar como guerra, hierarquia e lealdade poderiam mudar numa cultura organizada sem essa divisão.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

O taoísmo por trás do gelo

Le Guin não sabia chinês, mas foi leitora apaixonada do Tao Te Ching a ponto de publicar, décadas depois, sua própria versão do texto. O título do livro nasce de um provérbio da tradição de Gethen que descreve luz e escuridão como duas faces de uma mesma coisa, não como opostos que se excluem — uma ideia próxima do equilíbrio taoista entre forças como yin e yang, que se completam em vez de se anular. A amizade entre Genly e Estraven, que atravessa desconfiança e gelo até virar confiança, é a versão narrativa desse equilíbrio entre o que parecia irreconciliável.