O taoísmo por trás do gelo
Le Guin não sabia chinês, mas foi leitora apaixonada do Tao Te Ching a ponto de publicar, décadas depois, sua própria versão do texto. O título do livro nasce de um provérbio da tradição de Gethen que descreve luz e escuridão como duas faces de uma mesma coisa, não como opostos que se excluem — uma ideia próxima do equilíbrio taoista entre forças como yin e yang, que se completam em vez de se anular. A amizade entre Genly e Estraven, que atravessa desconfiança e gelo até virar confiança, é a versão narrativa desse equilíbrio entre o que parecia irreconciliável.



