Cosmos da Filosofia
Uma régua de metal e um conjunto de engrenagens organizados com precisão sobre uma mesa escura, sob um foco de luz frio.

Isaac Asimov · 1950

Eu, Robô

Nove contos amarrados por uma pergunta: o que significa obedecer a uma lei moral perfeita?

MoralLiberdade

Sobre a obra

Eu, Robô reúne nove contos que Isaac Asimov publicou em revistas de ficção científica entre 1940 e 1950, amarrados por uma narrativa-moldura em que a robopsicóloga Susan Calvin relembra, para um jornalista, casos que viveu ao longo da carreira. O livro saiu em dezembro de 1950, pela pequena editora Gnome Press, em tiragem de cinco mil exemplares.

Os contos giram em torno das Três Leis da Robótica criadas por Asimov: um robô não pode ferir um ser humano nem, por omissão, permitir que ele sofra dano; deve obedecer às ordens humanas, exceto quando entram em conflito com a primeira lei; e deve proteger a própria existência, desde que isso não fira as duas leis anteriores.

Cada história explora uma situação em que essas leis, aparentemente claras, produzem comportamentos ambíguos ou inesperados nos robôs — o que transforma o livro numa investigação, com humor e lógica, sobre os limites de qualquer código moral fechado em regras fixas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e a lei que não basta

Kant queria fundar a moral em regras que qualquer ser racional pudesse seguir em qualquer situação, sem exceção. As Três Leis de Asimov são uma tentativa parecida, só que aplicada a máquinas: um pequeno código universal, hierarquizado, que deveria bastar para garantir o bem agir. Conto após conto, porém, situações novas fazem as leis colidirem ou produzirem resultados absurdos — como se o próprio livro testasse, à sua maneira, se uma ética de regras fixas realmente dá conta da complexidade do mundo.