Cosmos da Filosofia
Uma pilha de livros carbonizados nas bordas sobre uma calçada molhada à noite, com um facho de luz de lanterna incidindo sobre eles.

Ray Bradbury · 1953

Fahrenheit 451

Bombeiros que não apagam incêndios: ateiam fogo em livros, numa sociedade que trocou o pensar pelo distrair-se.

ConhecimentoLiberdadeVerdade

Sobre a obra

Ray Bradbury publicou Fahrenheit 451 em 1953, pela Ballantine Books. O título é a temperatura, em Fahrenheit, na qual o papel pega fogo. Na história, os bombeiros não combatem incêndios: eles os provocam, queimando qualquer livro que encontrem, numa sociedade onde ler se tornou proibido.

Bradbury escreveu o romance durante o maccarthismo, num clima de censura e delação que o preocupava, e disse ter se inspirado também nas queimas de livros promovidas pelo regime nazista. Guy Montag, o bombeiro protagonista, começa a questionar o próprio trabalho depois de conhecer uma vizinha curiosa e de testemunhar o desespero de uma mulher que prefere morrer com seus livros a entregá-los.

Anos depois, Bradbury insistiu que o alvo do livro não era apenas a censura oficial, mas também a indiferença: uma população que prefere a televisão e o entretenimento fácil ao esforço de ler e pensar cria, por conta própria, uma sociedade pronta para dispensar os livros.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

A caverna com televisão

Na alegoria de Platão, prisioneiros confundem sombras projetadas numa parede com a realidade inteira, e sentem desconforto quando alguém tenta libertá-los para ver mais. As paredes de tela que ocupam as salas de estar do romance de Bradbury fazem um trabalho parecido: substituem qualquer contato mais profundo com o mundo por imagens fáceis de consumir. Montag, como o prisioneiro liberto, precisa de tempo e sofrimento para conseguir enxergar o que a tela sempre escondeu dele.