Cosmos da Filosofia
Uma bancada de laboratório do século XIX à noite, frascos de vidro e instrumentos de cobre reluzindo à luz de vela, uma cadeira vazia empurrada para trás como se alguém tivesse fugido.

Mary Shelley · 1818

Frankenstein

Um jovem cientista dá vida a um corpo montado com partes mortas — e foge horrorizado do que criou.

ConhecimentoMoralExistência

Sobre a obra

Mary Shelley escreveu Frankenstein entre 1816 e 1817, aos dezoito e dezenove anos, e o publicou de forma anônima em janeiro de 1818, em três volumes. A ideia nasceu no verão de 1816, na Villa Diodati, à beira do Lago Léman, quando Lord Byron propôs que o grupo — que incluía também Percy Shelley e John Polidori — escrevesse cada um uma história de fantasmas para passar o tempo chuvoso daquele ano sem verão.

O romance narra a história de Victor Frankenstein, um estudante que consegue animar um corpo montado com partes de cadáveres e, tomado de horror pelo próprio feito, abandona a criatura à própria sorte. O subtítulo, O Moderno Prometeu, associa Victor ao titã que roubou o fogo dos deuses para dá-lo aos homens e foi punido por isso.

O livro é considerado por críticos, como Brian Aldiss, a primeira obra genuinamente de ficção científica, por unir o gótico a uma especulação séria sobre ciência. Shelley bebeu de leituras como Paraíso Perdido, de Milton, e das ideias do próprio pai, o filósofo William Godwin, sobre educação e natureza humana.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Rousseau e a bondade corrompida

A criatura de Victor não nasce cruel: aprende sozinha a falar, a sentir compaixão, a apreciar a natureza, e só se volta contra os humanos depois de ser repetidamente rejeitada e agredida por eles. É quase uma ilustração da tese de Rousseau, para quem o ser humano nasce bom e é a sociedade que o corrompe. A diferença é que aqui a corrupção acontece diante do leitor, passo a passo, tornando difícil culpar só a criatura pelo que ela se torna.