Cosmos da Filosofia
Luz do sol entrando por uma cortina fina e caindo sobre um assoalho de madeira gasto, onde estão dois sapatinhos de criança, com poeira brilhando no ar

Terrence Malick · 2011

A Árvore da Vida

As lembranças de uma família do Texas dos anos 1950 se misturam a imagens do nascimento do universo e da vida.

SofrimentoExistênciaTempo

Sobre a obra

Escrito e dirigido por Terrence Malick, A Árvore da Vida estreou no Festival de Cannes em 16 de maio de 2011, onde ganhou a Palma de Ouro. O filme acompanha a família O'Brien no Texas dos anos 1950 — o pai severo vivido por Brad Pitt, a mãe de Jessica Chastain e três meninos — e alterna essas lembranças com imagens do nascimento do universo e do surgimento da vida na Terra.

O filme retoma ideias de Q, projeto que Malick teve depois de Days of Heaven (1978) para contar a história do cosmos até a formação da Terra, e que ele acabou abandonando. As filmagens começaram no Texas em 2008, com fotografia de Emmanuel Lubezki, muita luz natural e câmera na mão; cerca de 95% do elenco nunca havia atuado antes.

Malick se formou em Harvard e estudou filosofia em Oxford, onde preparou uma tese sobre o conceito de mundo em Kierkegaard, Heidegger e Wittgenstein, mas saiu sem diploma; em 1969, publicou sua tradução para o inglês de um texto de Heidegger. No filme, a mãe ensina aos filhos que existem dois caminhos, o da natureza e o da graça. A obra recebeu três indicações ao Oscar, entre elas a de melhor filme.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Jó e o problema do mal

O filme começa com uma passagem do livro de Jó, e a mãe pergunta a Deus por que o filho teve de morrer. É a questão que Leibniz chamou de teodiceia: como conciliar um Deus bom e poderoso com o sofrimento dos inocentes. A revista America descreveu a obra como uma exploração filosófica do luto e da teodiceia. Como em Jó, o filme não oferece explicação: responde com a imensidão da criação, diante da qual, observou o rabino David Wolpe, cada história humana parece pequena.