Cosmos da Filosofia
Barquinho de papel dobrado sobre uma pilha de livros antigos numa livraria vazia, iluminado por um raio de sol empoeirado

Roberto Benigni · 1997

A Vida É Bela

Um livreiro judeu italiano usa o humor e a imaginação para proteger o filho durante a Segunda Guerra Mundial.

LiberdadeVerdadeSofrimento

Sobre a obra

Dirigido e estrelado por Roberto Benigni, que escreveu o roteiro com Vincenzo Cerami, A Vida É Bela estreou na Itália em 20 de dezembro de 1997. Benigni vive Guido Orefice, judeu italiano dono de uma livraria, que usa a imaginação para proteger o filho pequeno dos horrores de um campo de concentração nazista.

A história se inspirou no livro de Rubino Romeo Salmonì, sobrevivente de Auschwitz, e no pai do diretor, Luigi Benigni, que passou dois anos num campo de trabalho nazista e contava a experiência com humor para não assustar os filhos. Como não é judeu, Benigni consultou durante toda a produção o Centro de Documentação do Judaísmo Contemporâneo, de Milão.

O filme ganhou o Grande Prêmio do Festival de Cannes, em 1998, e três Oscars, entre eles o de melhor ator para Benigni e o de filme estrangeiro. O humor diante do Holocausto dividiu opiniões: Mel Brooks disse que a obra banalizava o sofrimento nos campos, enquanto o Nobel Imre Kertész afirmou que quem a vê como comédia, e não como tragédia, não a entendeu.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Epicteto e o que depende de nós

Epicteto dividia as coisas entre as que dependem de nós, como nossos juízos e escolhas, e as que não dependem, como o corpo, os bens e as ações dos outros. Guido não pode mudar nada no campo. Mas decide, a cada dia, como o filho vai entender o que vê, e transforma a fome, o medo e o silêncio em regras de um jogo com pontos. O psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente de Auschwitz, chamou de última liberdade humana a de escolher a própria atitude diante de qualquer circunstância.