Cosmos da Filosofia
Metrônomo de madeira sobre o parapeito de uma janela coberta de geada, com telhados nevados desfocados lá fora na luz pálida do amanhecer

Harold Ramis · 1993

Feitiço do Tempo

Um meteorologista cínico vai cobrir uma festa numa cidadezinha e acorda, dia após dia, no mesmo 2 de fevereiro.

TempoVirtudeEudaimonia

Sobre a obra

Dirigido por Harold Ramis, que escreveu o roteiro com Danny Rubin, Feitiço do Tempo foi lançado pela Columbia Pictures em 12 de fevereiro de 1993. Bill Murray vive Phil Connors, um meteorologista de TV cínico que vai cobrir o Dia da Marmota em Punxsutawney, na Pensilvânia, e fica preso num ciclo em que o 2 de fevereiro se repete.

Rubin teve a ideia em 1990, ao imaginar o que alguém faria com um tempo ilimitado e se a imortalidade acabaria ficando tediosa. Ramis tornou a história mais leve e cômica, enquanto Murray queria destacar seu lado filosófico. Os dois se desentenderam durante as filmagens, feitas quase todas em Woodstock, no estado de Illinois, e passaram anos sem se falar.

O filme arrecadou mais de 105 milhões de dólares e ganhou o BAFTA de roteiro original. Rubin diz que não quis escrever uma alegoria espiritual, e sim uma história sobre como viver. Ainda assim, estudiosos budistas, cristãos e judeus o leram como alegoria religiosa, e a expressão Groundhog Day passou a nomear, em inglês, uma situação monótona que se repete.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Nietzsche e o eterno retorno

Na Gaia ciência, Nietzsche imagina um demônio anunciando que você viverá esta mesma vida outra vez, inúmeras vezes, sem nada de novo. Você o amaldiçoaria ou acharia a notícia divina? Entre as muitas interpretações que o filme recebeu está justamente essa. Phil vive o teste ao pé da letra: primeiro se desespera, depois aprende a habitar o dia. Quando diz que está feliz mesmo que fique preso para sempre, afirma a vida como ela é, sem descontar nada.