Cosmos da Filosofia
Porta de quarto fechada num corredor de apartamento antigo ao amanhecer, com uma fresta de luz cinzenta embaixo e uma mala de couro encostada ao lado

Franz Kafka · 1915

A Metamorfose

Um caixeiro-viajante acorda transformado num inseto monstruoso, e a vida da família inteira muda de figura.

ConsciênciaExistênciaMoral

Sobre a obra

Novela escrita por Franz Kafka entre 17 de novembro e 7 de dezembro de 1912, quando ele vivia em Praga, então parte da Áustria-Hungria. Saiu em outubro de 1915 na revista Die weißen Blätter e, em dezembro do mesmo ano, em livro pela editora Kurt Wolff, de Leipzig. Com cerca de 70 páginas impressas, é a mais longa das histórias que Kafka considerou concluídas.

Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que sustenta a família e ajuda a pagar as dívidas do pai, acorda certa manhã transformado num enorme inseto — no original, um “ungeheueres Ungeziefer”, algo como um bicho nocivo monstruoso. A narrativa acompanha o esforço dele e da família diante da nova condição, numa linguagem objetiva e neutra mesmo diante do absurdo e do grotesco.

Ao tratar da capa da primeira edição, Kafka pediu que o inseto não fosse desenhado nem mostrado de longe. A crítica lê na novela temas como a alienação, a culpa, a perda de identidade e o peso das exigências econômicas sobre os laços familiares. Vladimir Nabokov, por outro lado, recusava leituras simbólicas e via ali a luta do artista numa sociedade de gente estreita.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Preço e dignidade

Ao acordar transformado, Gregor se preocupa primeiro com o trabalho: o trem perdido, o chefe, a dívida dos pais que ele ajuda a pagar. Enquanto sustentava a casa, era valorizado; quando deixa de ser útil, passa a ser um fardo. Kant distinguia o que tem preço, e pode ser trocado por um equivalente, do que tem dignidade, que não admite troca. Lida por esse ângulo, a novela mostra com frieza o que acontece quando uma pessoa passa a ser medida apenas pelo que rende.