Cosmos da Filosofia
Varanda vazia de um apartamento mediterrâneo ao meio-dia, com uma cadeira de ferro, persianas de madeira quase fechadas e luz branca e dura riscando o chão

Albert Camus · 1942

O Estrangeiro

Um homem indiferente às convenções narra, sem enfeites, os dias antes e depois de um crime sob o sol da Argélia.

ExistênciaMorteMoral

Sobre a obra

Romance de Albert Camus publicado pela Gallimard, em Paris, em 19 de maio de 1942. É narrado em primeira pessoa por Meursault, um francês que vive na Argélia então sob domínio francês. O livro se divide em duas partes: a primeira vai do enterro da mãe do narrador até um homicídio que ele comete semanas depois; a segunda acompanha a prisão e o julgamento.

O livro integra o chamado “ciclo do absurdo”, formado ainda pelo ensaio O Mito de Sísifo e pela peça Calígula. A crítica associa o romance ao absurdismo e ao existencialismo, embora Camus tenha recusado a vida inteira o rótulo de existencialista. Em 1955, ele resumiu a obra dizendo que, em nossa sociedade, quem não chora no enterro da mãe corre o risco de ser condenado à morte.

Um ensaio de Jean-Paul Sartre sobre o romance ajudou a ampliar sua fama. O jornal Le Monde o pôs em primeiro lugar em sua lista dos cem livros do século XX. Camus recebeu o Nobel de Literatura em 1957, e O Estrangeiro ganhou traduções em muitas línguas e mais de uma adaptação para o cinema.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Camus e o absurdo

Em O Mito de Sísifo, do mesmo ano, Camus chama de absurdo o choque entre a nossa necessidade de sentido e o silêncio do mundo. Meursault vive dentro desse silêncio sem dramatizá-lo: não finge emoções que não sente e não atribui aos acontecimentos um significado maior do que eles parecem ter. Por isso o romance pode ser lido como a face narrativa do ensaio. A pergunta que ele deixa é a mesma de Camus: como viver quando o mundo não oferece razões prontas?