Cosmos da Filosofia
Sala de aula antiga à noite, com fileiras de bancos de madeira vazios e um quadro-negro apagado sob uma única luminária, poeira de giz suspensa na luz

Apostolos Doxiadis e Christos Papadimitriou · 2009

Logicomix

Bertrand Russell narra em quadrinhos a busca pelos fundamentos da matemática e os limites da lógica.

VerdadeConhecimento

Sobre a obra

Graphic novel escrita por Apostolos Doxiadis e Christos Papadimitriou, com desenhos de Alecos Papadatos e cores de Annie Di Donna. Escrita originalmente em inglês, saiu primeiro em grego, em 20 de outubro de 2008, e em inglês pela Bloomsbury, em setembro de 2009. Chegou ao primeiro lugar da lista de graphic novels do New York Times.

A história acompanha a busca pelos fundamentos da matemática, do fim do século XIX ao século XX, narrada por Bertrand Russell. Começa em 4 de setembro de 1939, quando Russell vai dar uma palestra numa universidade americana sobre o papel da lógica nos assuntos humanos, pressionado por manifestantes a se posicionar sobre a guerra. Aparecem também Cantor, Frege, Whitehead, Wittgenstein, Hilbert, Poincaré e Gödel.

Uma segunda narrativa, na Atenas de hoje, mostra os próprios autores discutindo o sentido da história, e o livro termina com eles assistindo à Oresteia, de Ésquilo. A obra foi descrita ao mesmo tempo como uma tragédia da arrogância do racionalismo e como um mito de origem do computador. O estudioso Paolo Mancosu notou que os autores tomam liberdades com os fatos, como encontros que não aconteceram.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

O paradoxo de Russell

O conjunto de todos os conjuntos que não contêm a si mesmos contém a si mesmo? Se contém, não deveria; se não contém, deveria. A pergunta de Russell abalou o projeto de Frege de fundar a aritmética na lógica e mostrou que a razão pode tropeçar nas próprias regras. É a versão moderna de um incômodo antigo, o paradoxo do mentiroso, que já intrigava os gregos. Logicomix transforma essa descoberta abstrata em drama pessoal: uma pequena contradição ameaça todo um edifício de certezas.