Em Homero (Ilíada e Odisseia, séc. VIII a.C.), a Moira já é a força que determina os limites e o fim da vida de cada um; Zeus é descrito como quem guia o destino, mas nem ele pode salvar o próprio filho Sarpédon de morrer quando chega sua hora — só chora por ele.
É Hesíodo, na Teogonia, quem dá às Moiras nomes e papéis distintos, algo ausente em Homero: Cloto fia o fio da vida na roca, Láquesis mede o quanto caberá a cada pessoa, e Átropos o corta, escolhendo o modo da morte. Hesíodo as chama primeiro filhas da Noite (Nix), e depois, em outra genealogia, filhas de Zeus e Têmis — uma tentativa tardia de encaixá-las na ordem olímpica.
Platão, em A República (Livro X), as retoma no mito de Er: as três Moiras, filhas da deusa Necessidade (Ananke), giram o fuso cósmico enquanto as almas, antes de nascer de novo, escolhem elas mesmas a vida que vão viver — e só depois da escolha as Moiras selam o destino escolhido, tornando-o irreversível.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.