Cosmos da Filosofia
Um fuso de madeira antigo com um único fio enrolado nele, a ponta puída e cortada, sobre uma mesa escura sob luz suave de vela.

Mitologia grega · séc. VIII a.C.

As Moiras e o destino

Três irmãs fiam, medem e cortam o fio da vida de cada mortal — e nem Zeus escapa do que elas decidem.

LiberdadeJustiçaExistência

Sobre a obra

Em Homero (Ilíada e Odisseia, séc. VIII a.C.), a Moira já é a força que determina os limites e o fim da vida de cada um; Zeus é descrito como quem guia o destino, mas nem ele pode salvar o próprio filho Sarpédon de morrer quando chega sua hora — só chora por ele.

É Hesíodo, na Teogonia, quem dá às Moiras nomes e papéis distintos, algo ausente em Homero: Cloto fia o fio da vida na roca, Láquesis mede o quanto caberá a cada pessoa, e Átropos o corta, escolhendo o modo da morte. Hesíodo as chama primeiro filhas da Noite (Nix), e depois, em outra genealogia, filhas de Zeus e Têmis — uma tentativa tardia de encaixá-las na ordem olímpica.

Platão, em A República (Livro X), as retoma no mito de Er: as três Moiras, filhas da deusa Necessidade (Ananke), giram o fuso cósmico enquanto as almas, antes de nascer de novo, escolhem elas mesmas a vida que vão viver — e só depois da escolha as Moiras selam o destino escolhido, tornando-o irreversível.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Platão e a escolha antes do fio

No mito de Er, a Moira não decide a vida de cada alma: ela sela uma escolha que a própria alma já fez. Almas que tiveram uma vida fácil no céu costumam escolher mal, com pressa, e se arrependem; as que sofreram embaixo escolhem com mais cuidado. Platão usa isso para defender que a responsabilidade é de quem escolhe, não do destino — mas, uma vez escolhido, o fio cortado por Átropos não se desfaz mais.