O mito aparece em Hesíodo (séc. VIII–VII a.C.), na Teogonia e, de forma mais completa, em Trabalhos e Dias. Depois que Prometeu rouba o fogo para os homens, Zeus manda Hefesto criar a primeira mulher, como castigo. Atena a veste e ensina a tecer, Afrodite lhe dá graça e desejo, Hermes lhe dá astúcia e um caráter dissimulado — daí o nome Pandora, "a que recebeu todos os dons".
Pandora é entregue a Epimeteu, irmão de Prometeu, que o havia avisado para não aceitar presentes de Zeus. Epimeteu não ouve o aviso; Pandora traz um jarro (pithos) com incontáveis males e o abre, espalhando-os pelo mundo. Só a Esperança (Elpis) fica retida sob a borda do jarro, sem sair pela porta. Hesíodo não explica por que ela ficou.
A imagem da "caixa de Pandora" vem de um erro de tradução: no século XVI, o humanista Erasmo de Roterdã verteu o pithos (jarro grande de armazenamento) de Hesíodo pelo termo latino pyxis (caixa pequena). A tradução errada colou e é assim que a expressão sobrevive até hoje.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.