Cosmos da Filosofia
Um jarro de cerâmica antigo, entreaberto, sobre uma mesa de pedra em uma sala vazia, com um fino fio de fumaça saindo pela abertura.

Mitologia grega · séc. VIII–VII a.C.

Pandora e o jarro (a "caixa de Pandora")

A primeira mulher abre um jarro proibido e liberta todos os males do mundo — menos a esperança.

SofrimentoExistênciaMoral

Sobre a obra

O mito aparece em Hesíodo (séc. VIII–VII a.C.), na Teogonia e, de forma mais completa, em Trabalhos e Dias. Depois que Prometeu rouba o fogo para os homens, Zeus manda Hefesto criar a primeira mulher, como castigo. Atena a veste e ensina a tecer, Afrodite lhe dá graça e desejo, Hermes lhe dá astúcia e um caráter dissimulado — daí o nome Pandora, "a que recebeu todos os dons".

Pandora é entregue a Epimeteu, irmão de Prometeu, que o havia avisado para não aceitar presentes de Zeus. Epimeteu não ouve o aviso; Pandora traz um jarro (pithos) com incontáveis males e o abre, espalhando-os pelo mundo. Só a Esperança (Elpis) fica retida sob a borda do jarro, sem sair pela porta. Hesíodo não explica por que ela ficou.

A imagem da "caixa de Pandora" vem de um erro de tradução: no século XVI, o humanista Erasmo de Roterdã verteu o pithos (jarro grande de armazenamento) de Hesíodo pelo termo latino pyxis (caixa pequena). A tradução errada colou e é assim que a expressão sobrevive até hoje.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Nietzsche e a esperança como mal

Em Humano, Demasiado Humano, Nietzsche inverte a leitura tradicional: se a Esperança ficou presa no jarro junto dos males, talvez ela própria seja um mal — talvez o pior deles. Para Nietzsche, a esperança não alivia o sofrimento humano, apenas o prolonga, mantendo as pessoas presas a uma vida de tormento em vez de deixá-las esgotar de vez o que sofrem. É uma leitura deliberadamente contrária ao senso comum sobre o mito.