Cosmos da Filosofia
Uma vela de cera totalmente derretida ao lado de uma janela aberta, a cera formando uma poça no parapeito enquanto nuvens de tempestade se acumulam lá fora.

Mitologia grega · séc. I a.C. – séc. II d.C.

Dédalo e Ícaro

Foge de uma prisão voando com asas de cera — e morre por não respeitar a medida entre o alto e o baixo.

VirtudeLiberdadeFelicidade

Sobre a obra

Dédalo, arquiteto ateniense que projetou o labirinto de Creta, é aprisionado na ilha pelo rei Minos, junto do filho Ícaro. Para escapar, constrói para os dois pares de asas com penas, fios e cera de abelha — a única rota possível, já que Minos controla o mar e a terra.

Antes de partir, Dédalo avisa Ícaro para não voar nem alto demais, perto do sol, nem baixo demais, perto do mar. Ícaro ignora o aviso, sobe muito alto, o calor derrete a cera das asas, e ele cai no mar — que passou a se chamar Mar Icário em sua memória. O relato mais longo está em Ovídio, Metamorfoses (Livro VIII); Apolodoro (Biblioteca) e Virgílio (Eneida) também registram a história.

Desde a Antiguidade, o mito é lido como advertência contra a ambição excessiva — voar alto demais, rápido demais. Dédalo, que chega a salvo por manter o meio do caminho, raramente recebe a mesma atenção que o filho.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Aristóteles e a medida certa

O próprio aviso de Dédalo já é uma lição de ética aristotélica: nem alto demais, nem baixo demais. Aristóteles definia a virtude como um meio-termo entre dois excessos — a coragem entre a covardia e a temeridade, por exemplo — e via no excesso, tanto quanto na falta, um vício. Ícaro erra não por voar, mas por perder a medida; Dédalo, que segue as instruções, é o modelo do meio-termo que chega inteiro ao destino.