Cosmos da Filosofia
Um paletó preto de alfaiataria e uma calça combinando dispostos sobre uma cama num quarto pouco iluminado, à noite.

Yves Saint Laurent · 1966

Le Smoking

Um smoking masculino redesenhado para o corpo feminino — que começou como escândalo e virou clássico.

LiberdadeJustiça

Sobre a obra

Le Smoking é um terno de smoking para mulheres criado por Yves Saint Laurent, apresentado em agosto de 1966 dentro de sua coleção outono/inverno "Pop Art". A peça se inspirou no estilo andrógino da modelo e musa Danielle Luquet de Saint Germain e num vestido de noite usado pela artista Niki de Saint-Phalle.

Saint Laurent não copiou o smoking masculino: adaptou seus códigos ao corpo feminino, com a cintura da blusa mais marcada, calças ajustadas para alongar a perna e uma gola mais suave, de curvas mais discretas do que a versão masculina.

A peça causou escândalo imediato — a socialite nova-iorquina Nan Kempner chegou a ser barrada num restaurante de Nova York por usar o terno, e outras mulheres enfrentaram recusas parecidas em locais que proibiam calças femininas. Ainda assim, a versão de prêt-à-porter da grife Saint Laurent Rive Gauche fez sucesso entre clientes mais jovens, e nomes como Catherine Deneuve, Bianca Jagger e Liza Minnelli adotaram o visual, ajudado também pelas fotografias de Helmut Newton e pela cantora Françoise Hardy, musa do estilista.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Simone de Beauvoir e a roupa como papel imposto

A filósofa francesa Simone de Beauvoir, fora da lista fixa do site, argumentava que a feminilidade não é um dado da natureza, mas um papel que se aprende a representar, inclusive pela roupa que se é ensinada a vestir. Le Smoking tomava emprestada uma peça reservada havia séculos aos homens e a devolvia ao guarda-roupa feminino, expondo como a divisão entre roupa "de homem" e "de mulher" era, antes de tudo, uma convenção social, não uma necessidade.