Óleo sobre tela da brasileira Tarsila do Amaral, pintado em janeiro de 1928 como presente de aniversário para o escritor Oswald de Andrade, então seu marido. O nome vem do tupi e significa, ao pé da letra, o homem que come gente. É uma das obras centrais da fase antropofágica do modernismo brasileiro.
Tarsila descreveu a figura como monstruosa e solitária, de pés enormes, sentada numa planície verde, com a mão apoiando a cabeça minúscula, diante de um cacto que explode numa flor. O museu fala de uma criatura pré-humana, ensimesmada, vinda de um Brasil primitivo e mágico. Oswald viu nela um antropófago, um homem da terra, e o poeta Raul Bopp propôs criar um movimento em torno do quadro.
Oswald escreveu então o Manifesto Antropófago, publicado em 1928 na Revista de Antropofagia. A ideia era tomar como metáfora o ritual canibal dos tupis: devorar a cultura europeia e digeri-la em algo propriamente brasileiro. Em 1995, o colecionador argentino Eduardo Costantini comprou o quadro num leilão da Christie's, em Nova York, por 1,4 milhão de dólares; hoje ele está no MALBA.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.