Cosmos da Filosofia
Duas xícaras de café deixadas em pontas opostas de uma mesa de cozinha comprida e vazia, à noite, sob uma única luminária pendente, com a janela escura refletindo só o cômodo vazio

Edward Hopper · 1942

Nighthawks

Tarde da noite, quatro pessoas numa lanchonete iluminada, vistas da rua escura através de uma grande vidraça.

ExistênciaEudaimoniaFelicidade

Sobre a obra

Óleo sobre tela do norte-americano Edward Hopper, concluído em 21 de janeiro de 1942. Hopper começou a pintá-lo logo depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, num momento de tristeza generalizada nos Estados Unidos. O Art Institute of Chicago o comprou em maio de 1942, por 3 mil dólares. Em português, o título às vezes é traduzido como Falcões da Noite.

Mostra quatro pessoas numa lanchonete do centro da cidade, tarde da noite, vistas através de uma grande vidraça: três clientes ao balcão e o atendente. A luz de dentro ilumina uma rua escura e deserta, e não há saída visível da área do balcão. Hopper contou que a cena foi sugerida por um restaurante da Greenwich Avenue, no ponto onde duas ruas se encontram, mas que ele a simplificou muito.

Jo Hopper, que posou para a figura feminina, sugeriu o título, possivelmente por causa do nariz em forma de bico de um dos clientes. Hopper disse que, inconscientemente, talvez estivesse pintando a solidão de uma grande cidade; em outra ocasião, afirmou que não via a cena como particularmente solitária. O quadro é um exemplo do vazio que ele explorou na vida urbana moderna e foi reproduzido e parodiado à exaustão.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Schopenhauer e os porcos-espinhos

Schopenhauer contou a parábola de um bando de porcos-espinhos numa noite de inverno. Eles se aproximam para se aquecer, mas os espinhos os ferem e os afastam; depois de muitas idas e vindas, encontram uma distância média em que se toleram. Assim seria a vida social: o vazio interior nos junta, e nossas qualidades incômodas nos separam. A lanchonete de Hopper parece essa distância média. Os clientes estão lado a lado, sob a mesma luz, no mesmo balcão, e ainda assim cada um parece guardado dentro de si.