Cosmos da Filosofia
Celular desligado sobre uma mesa escura à noite, com a tela preta refletindo de leve uma luminária, ao lado de uma xícara de chá já fria

Charlie Brooker · 2011–

Black Mirror

Uma antologia de futuros próximos em que tecnologias novas exageram traços e desejos do nosso próprio tempo.

JustiçaFelicidadeMorte

Sobre a obra

Série de antologia britânica criada por Charlie Brooker. Estreou no Channel 4 em 4 de dezembro de 2011 e passou para a Netflix em 2016. Até a sétima temporada, lançada em abril de 2025, somou 33 episódios e o filme interativo Bandersnatch. Cada episódio tem elenco e cenário próprios, num formato inspirado em Além da Imaginação (The Twilight Zone).

O título foi inspirado numa canção do Arcade Fire, e Brooker o usa para falar da tela vazia de um aparelho eletrônico desligado. A maioria dos episódios se passa em distopias de um futuro próximo, com tecnologias novas que exageram algum traço da cultura contemporânea, muitas vezes a internet. Entre os temas recorrentes estão privacidade, vigilância, realidade virtual, consumismo e individualismo.

Para o crítico Adrian Martin, muitos episódios mostram emoções e desejos humanos básicos distorcidos por um sistema tecnológico que sai do controle e termina em catástrofe. Black Mirror venceu três anos seguidos o Emmy de melhor filme para televisão, com San Junipero, USS Callister e Bandersnatch, e é apontada, ao lado de American Horror Story e Inside No. 9, como uma das séries que renovaram o formato de antologia na TV.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Gláucon e o valor de parecer

Na República de Platão, Gláucon desafia Sócrates: se a fama de justo traz todas as vantagens, por que alguém preferiria ser justo a apenas parecer justo? Em Nosedive, cada interação social recebe de uma a cinco estrelas, e a nota acumulada define em grande parte a posição social de cada um. É o mundo de Gláucon levado ao limite, em que tudo depende de parecer agradável. A resposta de Platão, para quem a justiça vale pela harmonia que produz na alma e não pela reputação, soa quase impossível nesse cenário.