Cosmos da Filosofia
Um relógio de bolso aberto com os ponteiros parados sobre o chão nu, luz fraca, horizonte vazio ao fundo, sem pessoas visíveis

Samuel Beckett · 1953

Esperando Godot

Dois homens esperam, à beira de uma estrada, por alguém chamado Godot — que nunca chega.

NiilismoExistênciaLiberdade

Sobre a obra

Esperando Godot é uma peça de Samuel Beckett, escrita entre 1948 e 1949 e estreada em francês, como En attendant Godot, em 5 de janeiro de 1953, no Théâtre de Babylone, em Paris. Vladimir e Estragon esperam, ao lado de uma árvore sem folhas, por um tal Godot, que prometeu vir mas nunca aparece; para passar o tempo, os dois travam conversas fragmentadas e brincadeiras que beiram o desespero.

No meio da espera, os dois encontram Pozzo e seu servo, Lucky, preso a uma corda. No segundo ato, quase idêntico ao primeiro, a árvore ganha algumas folhas, Pozzo está cego e Lucky, mudo — mas Godot continua sem vir. A peça termina com os dois decidindo ir embora e permanecendo exatamente onde estavam.

O crítico Martin Esslin batizou esse tipo de teatro de “Teatro do Absurdo”, em referência direta à filosofia do absurdo de Albert Camus. Beckett resistiu a explicações fixas sobre o sentido da peça, inclusive à leitura mais comum, que identifica Godot a Deus: negou a equivalência, embora a peça esteja cheia de referências bíblicas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Camus e o absurdo

Para Camus, o absurdo nasce do encontro entre a necessidade humana de sentido e o silêncio do mundo, que não responde às perguntas que lhe fazemos. Vladimir e Estragon vivem essa condição quase ao pé da letra: preenchem o tempo com rotinas e conversas sem rumo enquanto esperam por alguém que talvez nem exista, e cujo silêncio nunca é explicado. Não há mistério a decifrar por trás da espera — o crítico Martin Esslin batizou peças como esta de “Teatro do Absurdo” justamente por dramatizarem, sem resolver, essa falta de sentido que Camus já havia descrito em ensaio.