Cosmos da Filosofia
Mesa de centro desarrumada numa sala escura ao amanhecer, com um copo vazio, um caderno fechado e uma televisão desligada refletindo a luz pálida de janelas altas

Raphael Bob-Waksberg · 2014–2020

BoJack Horseman

Um cavalo que foi astro de uma comédia dos anos 1990 tenta voltar à fama e fugir de si mesmo.

MoralSofrimentoLiberdade

Sobre a obra

Série animada criada por Raphael Bob-Waksberg para a Netflix, exibida de 22 de agosto de 2014 a 31 de janeiro de 2020, em seis temporadas e 77 episódios. O visual é de Lisa Hanawalt, com quem Bob-Waksberg já tinha feito uma história em quadrinhos na internet. Will Arnett dá voz ao protagonista na versão original.

Num mundo em que humanos convivem com animais antropomórficos, quase sempre em Hollywoo, uma Hollywood que perdeu o D, BoJack é um cavalo que foi astro de Horsin' Around, comédia familiar dos anos 1990, e tenta voltar à fama escrevendo sua autobiografia. Alcoólatra e cheio de desprezo por si mesmo, luta contra a depressão, e parte de seus problemas vem da infância com pais infelizes.

Recebida com críticas mistas no início, a série passou a ser aclamada já na segunda metade da primeira temporada, e a partir da segunda alcançou aclamação quase unânime, por equilibrar drama sombrio e humor. Trata de depressão, trauma, dependência, comportamento autodestrutivo, suicídio, racismo e sexismo, entre outros temas, e foi lida como um retrato da luta, muitas vezes frustrada, para encontrar um propósito na vida.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aristóteles e a força do hábito

Para Aristóteles, o caráter se forma pelo hábito: tornamo-nos justos praticando atos justos. E, uma vez formado, o vício não se desfaz só com boa vontade, assim como o doente não recupera a saúde apenas porque deseja. BoJack vive essa armadilha. Quer ser melhor, promete mudar e volta aos mesmos atos: bebe, se droga e afasta quem se aproxima dele. A série leva a sério a ideia de que querer ser bom não basta; mudar exige outro hábito, sustentado por muito tempo.