Cosmos da Filosofia
Balde de madeira e pano dobrado sobre um piso de pedra molhado, envoltos em vapor quente, com um seixo liso de rio ao lado, sob a luz suave de uma lanterna

Studio Ghibli · 2001

A Viagem de Chihiro

Presa num mundo de espíritos, uma menina de dez anos trabalha para salvar os pais sem esquecer quem é.

ConsciênciaAtaraxiaVirtude

Sobre a obra

Longa-metragem do Studio Ghibli escrito e dirigido por Hayao Miyazaki, estreou no Japão em 20 de julho de 2001, com distribuição da Toho. Tornou-se a maior bilheteria da história do país, recorde que manteve por 19 anos. Dividiu o Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2002 e foi o primeiro filme de animação desenhado à mão e não falado em inglês a ganhar o Oscar da categoria.

Chihiro, de dez anos, está de mudança com os pais quando a família chega a um túnel que leva ao que parece ser uma cidade turística abandonada. Os pais comem a comida de um restaurante aparentemente vazio e se transformam em porcos. Presa no mundo dos espíritos, a menina vai trabalhar na casa de banhos da feiticeira Yubaba, que lhe tira parte do nome e passa a chamá-la de Sen.

Miyazaki quis fazer um filme para meninas de dez anos, a partir da filha de um amigo, e criar uma heroína comum, com quem o público pudesse se identificar. Segundo ele, a transformação dos pais simboliza como certas pessoas se tornaram gananciosas na época da bolha econômica japonesa. Análises do filme também destacam o folclore xintoísta e budista, a identidade ligada ao nome, a crítica ao consumismo e a destruição ambiental.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

O nome e a memória de si

Yubaba contrata Chihiro tirando-lhe parte do nome, e quem esquece por completo o nome verdadeiro nunca mais consegue sair do mundo dos espíritos. Locke fez da consciência o critério da identidade pessoal: somos a mesma pessoa na medida em que a consciência se estende a ações e pensamentos passados. Perder o nome, no filme, é romper esse fio com o próprio passado — Haku não lembra o próprio nome nem sua história. Guardar o nome é o que permite a Chihiro continuar sendo alguém, e não apenas uma função na casa de banhos.