Cosmos da Filosofia
Duas cadeiras escolares de madeira vazias, uma diante da outra, em uma sala de aula silenciosa, uma levemente virada, com poeira suspensa na luz suave da manhã e sombras longas no chão

Kyoto Animation · 2016

A Voz do Silêncio

Um jovem que praticou bullying contra uma colega surda tenta, anos depois, reparar o que fez.

MoralVirtudeSofrimento

Sobre a obra

Longa-metragem da Kyoto Animation dirigido por Naoko Yamada, com roteiro de Reiko Yoshida e música de Kensuke Ushio, lançado no Japão em 17 de setembro de 2016. Adapta o mangá de Yoshitoki Ōima, publicado primeiro como história única em 2011 e depois serializado na Weekly Shōnen Magazine entre 2013 e 2014, com revisão e apoio da Federação Japonesa de Surdos.

No ensino fundamental, Shōya Ishida e os amigos praticam bullying contra Shōko Nishimiya, uma colega surda. Anos depois, já no ensino médio, isolado e com pensamentos suicidas, ele a procura para tentar reparar o que fez. Yamada disse que o bullying não é o tema central, mas um meio de explorar a personalidade de Shōya, e que quis tratar o suicídio com integridade, deixando claro que ele não é a decisão certa.

O filme aborda o bullying escolar, a integração de pessoas com deficiência, a culpa dentro de uma comunidade, a redenção, o perdão e o respeito por si mesmo. O isolamento de Shōya e sua incapacidade de olhar os colegas são simbolizados por marcas em forma de X sobre o rosto deles. A estreia foi em segundo lugar nas bilheterias japonesas, e o filme recebeu o prêmio de excelência do Japan Media Arts Festival.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Aristóteles e o caráter

Para Aristóteles, o caráter se forma pelo hábito: tornamo-nos justos praticando atos justos. Por isso, dizia, somos em parte responsáveis pelo caráter que formamos. Shōya não pode desfazer o que fez na infância, mas pode agir de outro modo agora, e o filme acompanha sua tentativa de se reaproximar de Shōko e fazer amizade com ela. Nessa leitura, reparar não é um gesto único, e sim aprender, pela repetição, a ser outra pessoa.